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A Vogue está com um problemão…

Essas pessoas estão perdendo a noção MESMO. E é em caps look MESMO que digo isso. Cês viram a bagunça que a Vogue Kids aqui do Brasil aprontou? Bom, se tá por fora, eu explico: para a edição de setembro, eles fizeram um ensaio infantil com crianças em poses e roupas bastante insinuantes para a idade.

O bagulho foi tão sério que o Ministério Público de São Paulo está investigando o caso. Além disso, nas redes sociais muitas pessoas se levantaram contra a poderosa Vogue. O ensaio se chama “Sombra e Água Fresca” e neles meninas que aparentam ter 7 anos se colocam de maneira muito sensual, tipo Lolita, sabe assim?

Nas fotos que vi na internet, pois não comprei a revista para observar melhor, parece até que as pimpolhas fazem menção de querer tirar a roupa. Ideia tosca, desrespeitosa e desnecessária da Vogue. Não sou conta ensaios infantis ou coisa assim. Acho que são legais para as crianças, um colírio para os pais e importantes para esse mercado.

Contudo, essa daí é grotesco. Acho que a Vogue entrou, sem medo de ser feliz, na onda de “transformar” crianças em adultas. Cês já repararam como isso anda recorrente no mundinho fashion e, pior, na vida real também? Temos vários cases: é filho de celebridade usando sapato de salto antes mesmo de saber andar, a outra que faz tutorial de make e joga pro Youtube…

O problema é que, antes, o povo estava achando tudo isso uma gracinha. Ninguém pensava em pedofilia, como foi feito dessa vez. As pessoas apenas aplaudiam de suas cadeiras macias sem refletir sobre as conseqüências desse processo todo. E, bom, ta aí uma conseqüência.

Fizeram esse ensaio achando que todo mundo acharia normal, mas…. O negócio foi tão explícito que ninguém mais pensou assim. Espero que o Ministério Público ao menos notifique a revista. Ficou muito feio para eles. Mesmo. Quanto ao mundinho fashion, ta bom de tosquice por um bom tempo, né? Veremos os próximos capítulos…

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Ela é primeira-dama, capa de revista

Para começar o segundo mandato com pé direito, nada melhor que aparecer em uma segunda capa de revista. Talvez você tenha se perdido lendo esta frase, mas eu já alivio sua aflição: acontece que a top-primeira-dama-de-franja Michelle Obama, ilustre esposa do Sr. Barack Obama deu o ar da graça na Vogue América, editada pela amanda e odiada Anna Wintour.

(Fonte: Vogue)

(Fonte: Vogue)

Essa não é a primeira vez que Michelle exibe sua bela estampa na publicação. Antes, ela apareceu em um belo vestido rosa, e sem franja. Veja só.

(Fonte: Vogue)

(Fonte: Vogue)

É interessante perceber que a moda tem o poder de extrapolar seu costumeiro papel de provocar desejo.  Agora é capaz de apontar os rumos da sociedade, de maneira sutil. Quando a Vogue começou sua estrada, tratava-se apenas de uma revista que debatia as amenidades do mundo feminino; modos de vestir, de se comportar, de arrumar um marido… Hoje o negócio é outro.

Há vezes em que a Vogue levanta bandeiras; algumas acertadas, outras nem tanto. Mais uma coisa: quando o fenômeno moda começou a se estruturar, na época dos egípcios e tudo e tal, uma de suas funções era diferenciar os escravos dos nobres, e os nobres, sacando isso, se enfeitavam ainda mais para reafirmar sua posição. Acabou que os escravos quiseram se parecer com seus senhores. Então é mérito deles popularizar o uso das modas.

Dei voltas para dizer que Michelle Obama é prova de que ideias e comportamentos estão aí para serem transformados. A família Obama tem em suas origens o sangue dos escravos, não é vergonha admitir isso. Mas, hoje estão no topo da pirâmide social dos Estados Unidos da América. São eles que ditam tendências, portanto são eles a inspiração para muitas pessoas. Daí, o lugar de destaque na Vogue. Eu poderia citar também o ângulo político da questão, mas vai ficar para outra conversa.

O casal presidencial. (Fonte: Vogue)

O casal presidencial. (Fonte: Vogue)

Gente, acho tão linda a contemporaneidade, que permite mudanças rápidas e contínuas. E parabéns para o mundinho fashion que se adapta a tudo, assim como a sociedade, ainda que leve tempo.

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Tudo tem dois lados

Pensei muito antes de escrever, mas não resisti. Tinha que falar sobre o editorial da Vogue America cujo tema é: Furacão Sandy. Não sou advogada, portanto não estou acusando ou defendendo. Sou jornalista e meu dever é pensar.

EditorialVogueSandyUm

Pausa para contextualização: em 28 de outubro de 2012 o Furacão Sandy atacou a costa leste dos Estados Unidos. Entre os estados afetados estava Nova York. Na cidade de Nova York, a maior do estado, a redação da Vogue América está.

Revistas são veículos formadores de opinião sobre o tema do qual tratam. Com a moda não é diferente. Há revistas que gostam desse ou daquele estilista. Outras apoiam determinado movimento, outras não. Elas têm um papel no meio social ao qual pertencem.

A intenção da Vogue era refletir sobre o acontecido. Talvez até homenagear quem atendeu as vítimas, como bombeiros e soldados. Repare nas fotos que trouxe para vocês. Com a iniciativa eles podem tentar ajudar quem ainda precisa. Ou seja: mostrar aos leitores que a tragédia existiu, mas que as coisas podem melhorar e que existem pessoas para ajudar.

EditorialVogueSandyDois

O editorial pretendia mostrar algo, formar uma opinião. Moda não é apenas “o bem vestir”, mas um fenômeno sociológico. Porém, existe outro lado: moda também é indústria. Vive de despertar desejo nas pessoas para que mercadorias sejam vendidas, fazendo a roda girar.

Como observadora do mundinho fashion reconheço que pode parecer esquisito ver uma tragédia retratada assim, com belos vestidos, nomes de marcas famosas e preços inacessíveis para muitos. Mas penso que, nesse caso tão delicado, não há espaço para esquerda e direita.

EditorialVogueSandyTres

Acho melhor ver essa atitude da Vogue América com um compadecimento a catástrofe. A equipe da revista está em Nova York; deve ter visto o sofrimento de que viu o Furacão Sandy passar. Desrespeitoso são fotos de certa personalidade brasileira, feliz em meio ao caos.

A moda luta, protesta, seduz e contesta com as armas que tem, no caso o editorial. Mas ela também vive de satisfação, desejo, dinheiro e obsolescência sazonal, características fundamentais para sua existência. É equilibrando os dois lados que o fenômeno “moda” existe e acontece. Fim da história.

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