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É muito absurdo

É meu povo, o mundinho fashion adora me dar motivo para soltar o verbo, não é mesmo? Aí, como boa geminiana que sou, não consigo ficar calada diante dos absurdos e venho desabafar com vocês, meus queridos. O motivo de minha raiva? Bem, por um acaso vocês conhecem a Abercrombie&Fitch ou a campanha Abercrombie Popular?

Abercrombie&Fitch é uma marca de roupas americanas com pegada jovem e descolada. O foco produzir camisetas divertidas e modernas. Abercrombie Popular é uma campanha que pretende criticar o elitismo e as ditaduras que crescem e se multiplicam no mundo da moda de uma forma impactante, rápida e dramática.

Essas duas coisas se juntam no seguinte ponto: quando a marca de camisetas Abercrombie&Fitch resolve não mais produzir camisas femininas G e GG, porque não quer associar seu nome à mulheres gordinhas. Como se não fosse suficiente, os responsáveis pela grife declaram que seus produtos são usados apenas por indivíduos bonitos, descolados e populares. Vendo tudo isso, uma pessoa resolveu subir no palanque e falar algo.

Como? Montando a campanha Abercrombie Popular, onde é pedido que, caso você tenha uma camisa dessa marca e esteja indignado com a situação, doe seu exemplar ao movimento. Para concretizar o protesto, os organizadores entregam esses exemplares para moradores de rua. Depois, eles são fotografados vestindo as camisas que ganharam. Esse material vai parar nas redes sociais, onde todos podem ver.

Campanha-um

Antes de dar minha opinião, preciso deixar bem claro que estou vendo a situação pela ótica da moda, assunto do qual entendo um pouquinho. Não estou falando de exposição de pessoas que participam dessa campanha ou de qualquer outra coisa que tenha um viés humanitária. Muitos já estão falando desse caso por esse prisma. Também quero dizer que é somente, e apenas, a fala de uma pequena observadora, certo?

Isto posto, digo o que penso: gente, para mim, a campanha é genial! É forte, sim, mas genial. É lindo provar para as marcas que elas não têm o poder de direcionar suas roupas ao público que bem entendem, ainda mais de forma tão cruel e tacanha. Não existe isso de “só gente bonito e descolado vai usar”, tudo mundo usa o que bem entende e fim da história.

Campanha-dois

Além do mais, eu acho, honestamente, que essa campanha é o “monstro criado pela própria moda”. Sejamos honestos; há um lado muito perverso nessa indústria que incentiva as pessoas a serem bonitas, ricas, famosas e magras em tempo integral. Oi, hello?!! Essa não é a realidade de 90% da população mundial Vontade infeliz essa de vender apenas para “pessoas populares”.

Um dia esse caldo ia entornar, é claro. Já está se vendo que é impossível viver nessa sociedade da perfeição e photoshp, Graças a Deus. Por que discriminar as gordinhas? Por que discriminar pessoas com padrões sociais diferentes do seu? Por que dispensar tanta energia com campanhas publicitárias que só conseguem pirar ainda mais com a cabeça das pessoas?

Campanha-tres

Parabéns para você que elaborou a campanha Abercrombie Popular. Sério, você é o cara que conseguiu bagunçar ao menos um pouquinho o castelo de areia onde os poderosos da moda vivem usando óculos cor-de-rosa. E você, da Abercrombie&Fitch, que não curte gordinhos e diferentes, preciso te falar que sua estratégia de marketing é estúpida, já que se volta contra sua marca. E, antes que eu me esqueça, você também é um idiota sem tamanho.

Se você, amiguinho leitor, pensa diferente de mim, por favor conte nos comentários. Eu gosto de saber opiniões divergentes das minhas, já que quando pensamos juntos, pensamos melhor. Só peço que respeite meu ponto de vista, porque a opinião é uma das coisas mais valiosas que temos nessa vida.

Bjim procês todos!

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Arquivado em Comportamento, Moda

Manifesto contra perguntas estúpidas

Então você se arruma, coloca sua bijuteria favorita, passa aquele batom vermelho que você ama e vai trabalhar. Chegando lá, perguntam: “mas você está tão arrumadinha, por quê?” Em outro dia, seu look está mais casual; você escolhe aquela saia plissada, calça a sandália que comprou recentemente e vai para o curso de inglês.

Blog Um

Na escola, recebe elogios e ouve “nossa, tão chique para estudar…” No domingo de manhã sua mãe pede a você que compre pão. Antes de descer para a padaria, primeiro ajeita o cabelo e passa um blush. Voltando, percebe alguns olhares de pessoas que provavelmente pensam que você está muito “arrumadinha” tão cedo.

Blog Dois

Todas essas situações se passaram com essa que vos escreve, euzinha. Cansada de escutar o famoso “nossa, como você está arrumadinha”, resolvi desabafar. Qual o problema de andar bem-vestida, minha gente, alguém me explica por favor?

Blog Tres

Eu gosto de me apresentar bem para o mundo, para que ele seja gentil comigo. Além disso, nossa imagem é fundamental e é através dela que dizemos o quê queremos e onde pretendermos chegar. Imagem não é futilidade; é um detalhe importante da personalidade. Além do quê, faz muito bem para a autoestima cuidar desses detalhes.

Blog Quatro

Se você, bloguete, já passou por tudo que descrevi antes, comece a dizer para quem te oprime, mas, fale bem alto: pessoas, PAREM de perguntar por que estou “tão arrumadinha”! Eu simplesmente gosto da pessoa que sou e quero que todos saibam disso, oras! Ao invés de querer entender minha maneira de encarar o mundo tente descobrir o seu estilo e comece a ficar “arrumadinho” você também. Que tal? Aposto um brigadeiro como isso vai te fazer muito feliz.

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E a imprensa?

Deem "Oi" para o meu crachá de imprensa!

Deem “Oi” para o meu crachá de imprensa!

O Minas Trend acabou faz quase um século. Já estamos no meio do Fashion Rio, e eu aqui falando dele. Ah gente, vocês sabem que esse bloguito tem seu próprio tempo. Então senta que lá vem a história. Minha credencial de press está aqui porque preciso fazer uma reflexão, meus caros.

Pelos corredores do salão de negócios vi incontáveis jornalistas correndo atrás da melhor foto, da tendência mais bombástica, da personalidade mais reluzente. Isso tudo faz parte do show e faz parte também do ofício “jornalismo de moda”. Também faço isso e me orgulho muito de dar conta do recado, de verdade.

Ainda assim, nessas horas eu penso: é mesmo só isso? Não é possível que o mundinho fashion seja apenas plumas e paetês. Existe, sim, o lado negro dessa força social que é a moda. E quanto aos bolivianos que ganham 300 reais por mês para cortar não sei quantas calças para a grife top do momento? E as grifes que não tem como arcar com os custos de um desfile e por isso pensam em recorrer aos financiamentos públicos? E os animais que são mortos para dar vida a um único casaco de pele? Isso precisa ser exposto, gente!

Sou por natureza uma pessoa muito crítica e talvez eu só esteja vendo pelo em ovo, mas acho que não devemos viver apenas no céu de brigadeiro das tendências e das it grils. É preciso “pensar a moda” de um jeito mais responsável. Todas as editorias fazem isso, por que não essa?

Que fique claro: não sou contra o raso, o divertido, o passatempo. Só penso que é preciso haver espaço para pensar e ver os defeitos dessa coisa tão bonita e que eu gosto tanto. Tudo tem dois lados, não acham? E se algum de vocês pensa diferente desta que vos escreve, por favor, conta para mim nos comentários. Vou ficar muito feliz se compartilharem suas opiniões comigo!

Um bjo procês!

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Analógicos ou digitais?

Acompanhantes, bloguetes, leitoras(os), como é que vão por esses dias? Eu de cá vou bem, obrigada por perguntarem. Como disse, não viria aqui esses dias; estava ocupada com o Minas Trend. Bem, talvez não tãoooo ocupada assim, mas vocês concordam que, de vez em quando, um tempo se faz necessário…

Estão pensando sobre o título de hoje, não é? Explico já: esta reflexão, “Analógicos ou Digitais?”, foi o tema do Minas Trend deste ano. Achei bem interessante mais, a meu ver, no mundinho fashion é impossível escolher uma das possibilidades, deixando a outra de em segundo plano.

Vestido todo coberto manualmente de cristais modernos.

Vestido todo coberto manualmente de cristais modernos.

Vou separar as duas palavras para dinamizar meu raciocínio, ok pessoas?

Analógicos: nesse contexto a palavra quer dizer apenas algo que funciona sem a necessidade de grandes inventices, sabe? Algo que vai bem com apenas alguns conhecimentos. Por exemplo: sei que algumas roupas, em algum momento do processo criativo, são cortadas e costuradas á mão, tipo época da vovó mesmo.

Digitais: trata-se de coisas e processos que precisam de um bocado de tecnologias para andar bem. Na moda, hoje existem uma infinidade de tecidos, dos quais eu confesso não entender muito bem, que precisam de tecnologias para serem tramados, estampados ou tingidos. Temos até acabamentos feitos a laser, pasme vocês.

Modernos, modernos, modernos...

Modernos, modernos, modernos…

É por isso que uma palavra não excluiu a outra, e as duas andam de mãos dadas felizes pelas estradas do mundinho fashion. É impossível costurar aquela roupa linda, feita com aquele tecido maravilhoso e moderno, sem usar técnicas usadas por nossas avós no tempo da onça. Por isso, achei o tema do Minas Trend desse ano bem legal.

Reflexões de segunda, a gente vê por aqui!

Analógicos, quase artesanais.

Analógicos, quase artesanais.

Bju bunitu 😎

PS: as fotos desse post são minhas. Tirei com o tablet portanto não ficaram láaaaaaaaa essas coisas. São da cenografia do evento e cada manequim tinha a proposta de um criador relacionada ao evento.

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O mundo anda tão complicado

Observem a foto.

Fonte: FFW/Terra

Fonte: FFW/Terra

Quem me mostrar onde está o racismo e a falta de respeito aí, nessa foto, ganha um doce. Não entendeu? Eu explico tudo, acompanhe: esta foto foi retirada do desfile apresentando por Ronaldo Fraga nesta edição do São Paulo Fashion Week. A inspiração aqui é o futebol dos anos 1930, 1940 e 1950, época em que os negros firmaram seu espaço e competência no esporte britânico.

Com beleza assinada por Marcos Costa, a ideia era apresentar um make leve, que deixasse as modelos com cara de saudável e bem-nutridas. Nos cabelos, uma peruca feita com palha de aço; a intenção era homenagear os negros e seus cabelos, já que é mérito deles a popularização e glorificação do futebol em nosso país.

Fonte: FFW/Terra

Fonte: FFW/Terra

Agora chegamos ao ponto onde vocês vão entender tudo. Vendo a palha de aço no cabelo das modelos, algumas pessoas viram nessa ideia traços de discriminação explícita por porta dos brancos pelos negros, com requintes de preconceito e racismo. Eu não sei o que Ronaldo Fraga comentou algo sobre o fato, se é que comentou, mas eu sei o que eu penso.

Antes de qualquer coisa, preciso falar que essa é só minha opinião, tá? Gente, isso de as modelos usarem na cabeça essas perucas é uma homenagem, alô?! Eu sinceramente acho que ninguém quis atacar ou atingir ninguém no desfile. Absurdo seria se o Ronaldo obrigasse as modelos de cabelo cacheado a alisar seus fios para desfilar na passarela. Alguém te obrigar a negar suas características para você ter permissão de participar de algo é que é uma tremenda falta de respeito.

Vivemos em uma época em que as pessoas se sentem atingidas muito facilmente. Ultimamente, alguém sempre acha que isso ou aquilo aconteceu, ou foi feito, para atingir uma determinada parcela da sociedade. Que tal todo mundo viver suas vidas felizes e contentes, se respeitando honestamente?

Expor a opinião é saudável, mas tudo em exagero faz mal. É preciso saber interpretar e pensar para depois reclamar com embasamento e sustentabilidade. Verdade que a moda, ás vezes, comete atrocidades, mas esse, na minha humilde opinião de observadora do mundinho fashion, não foi o caso.

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Tudo tem dois lados

Pensei muito antes de escrever, mas não resisti. Tinha que falar sobre o editorial da Vogue America cujo tema é: Furacão Sandy. Não sou advogada, portanto não estou acusando ou defendendo. Sou jornalista e meu dever é pensar.

EditorialVogueSandyUm

Pausa para contextualização: em 28 de outubro de 2012 o Furacão Sandy atacou a costa leste dos Estados Unidos. Entre os estados afetados estava Nova York. Na cidade de Nova York, a maior do estado, a redação da Vogue América está.

Revistas são veículos formadores de opinião sobre o tema do qual tratam. Com a moda não é diferente. Há revistas que gostam desse ou daquele estilista. Outras apoiam determinado movimento, outras não. Elas têm um papel no meio social ao qual pertencem.

A intenção da Vogue era refletir sobre o acontecido. Talvez até homenagear quem atendeu as vítimas, como bombeiros e soldados. Repare nas fotos que trouxe para vocês. Com a iniciativa eles podem tentar ajudar quem ainda precisa. Ou seja: mostrar aos leitores que a tragédia existiu, mas que as coisas podem melhorar e que existem pessoas para ajudar.

EditorialVogueSandyDois

O editorial pretendia mostrar algo, formar uma opinião. Moda não é apenas “o bem vestir”, mas um fenômeno sociológico. Porém, existe outro lado: moda também é indústria. Vive de despertar desejo nas pessoas para que mercadorias sejam vendidas, fazendo a roda girar.

Como observadora do mundinho fashion reconheço que pode parecer esquisito ver uma tragédia retratada assim, com belos vestidos, nomes de marcas famosas e preços inacessíveis para muitos. Mas penso que, nesse caso tão delicado, não há espaço para esquerda e direita.

EditorialVogueSandyTres

Acho melhor ver essa atitude da Vogue América com um compadecimento a catástrofe. A equipe da revista está em Nova York; deve ter visto o sofrimento de que viu o Furacão Sandy passar. Desrespeitoso são fotos de certa personalidade brasileira, feliz em meio ao caos.

A moda luta, protesta, seduz e contesta com as armas que tem, no caso o editorial. Mas ela também vive de satisfação, desejo, dinheiro e obsolescência sazonal, características fundamentais para sua existência. É equilibrando os dois lados que o fenômeno “moda” existe e acontece. Fim da história.

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