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Diferenças

Sim, este será mais um post sobre o São Paulo Fashion Week. Não é todo dia que alguém como eu vai á um festival como esse, então, aguente minha semana nomotemática. Ao menos estamos tendo textos, minha gente, não é um avanço?? Seguinte, hoje escrevo para falar sobre o momento em que me sentei e apenas observei as pessoas fashion de São Paulo.

Impressionante as conclusões que tiramos quando nos calamos e, apenas, olhamos. Não sei se vocês sabem, mas costumo cobrir o Minas Trend, semana de moda mineira que apresenta as tendências para a próxima estação e é acompanhada de um grande – e cansativo! – salão de negócios onde expositores de todo o país tentam vender suas apostas.

Pois bem, as pessoas que passeiam nesse salão, como em todo o evento, são muito diferentes das que vi circulando no SPFW. Chego a dizer que o povo “das modas” mineira é mais piora enquanto que o povo “das modas” paulista é mais moderno e criativo. Aqui, o importante é estar totalmente na tendência. Lá, a tendência também é importante, mas deve ser misturada à pitadas generosas de criatividade e originalidade.

Aqui você corre o risco de ver duas mulheres usando vestidos iguais só porque são da marca mais phyna do momento enquanto que lá você consegue observar looks que julgava serem impossíveis até aquele momento. Aqui em Mimas as pessoas têm um certo medo de ousar enquanto que em São Paulo a pauta do dia é a ousadia, modernidade e criatividade.

Eu não sei se isso acontece porque o São Paulo Fashion Week é para levar ideias ao mercado enquanto que o Minas Trend serve para levar o produto já pronto. Também não sei se isso acontece porque o pessoal de SP recebe mais influência do mundo, enquanto que nos criamos uma hierarquia entre as montanhas. Só sei que a diferença entre os estilos é bem palpável para aqueles dispostos a falar menos e observar mais…

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A Mattel está tentando dominar o mundo

O povo bola estratégias de marketing descaradas achando que não vamos perceber o que está rolando por trás dos holofotes. Ah, sabem de nada, bando de inocentes. Nos não somos bocós! Ou vocês acharam mesmo que a aparição da Barbie em vários cantos do mundinho fashion nessa última temporada de moda era mera, puramente e simples, inspiração dos estilistas cabeçudos? Claro que não! Se está por fora, vou já explicar o babado.

A Moschino, marca divertida que apresenta suas propostas em Milão, mostrou ao público um desfile cujo tema, o único, diga-se de passagem, era a Barbie e seu mundo cor de rosa. Entre bolsas de coração, cases para iPhone em formato de espelho e modelos desfilando de patins, o público pode observar toda a magia inebriante do jeitinho Barbie de ser. Apesar do exagero na referência, o desfile tinha sentido porque está dentro de uma marca conhecida por abordar temas pops como o McDonald´s. Fez sentido para mim, ao menos.

Depois disso, ainda em Milão, Dolce&Gabana também resolveram botar na passarela a boneca mais amada e odiada pelas meninas e mulheres de plantão. Só que, nesse caso, acho que não ornou muito bem com o tema da coleção, já que a boneca pareceu meio perdida entre as garotas espanholas que vimos na passarela carregando referências das touradas e dança espanhola. A Barbie chegou nas mãos das modelos dentro de uma caixa/bolsa. Muito confuso para mim, alguém que não observou o espetáculo das primeiras cadeiras.

Além dessas aparições grandiosas, em 2014 já vimos uma Barbie inspirada em Karl Lagerfeld, com direito a cabelo branco, termo preto e toda a indumentária de kaiser da moda. Também já tivemos coleções-cápsula na Forever21, Wildfox e Lord & Taylor, tudo, claro, inspirado na bonequinha. Mas, não fique triste, a Mattel não deixou o Brasil de fora dessa febre de Barbie. A C&A lançou uma coleção em parceria com a estilista rainha do Instagram Patrícia Bonaldi. Com looks para mães e filhas, a coleção fala sobre a Barbie de um modo mais sutil.

Eu acho que, se é possível se apropriar de algo para conseguir alguma coisa, no caso pegar a moda para ser marqueteira de sua marca, não é pecado. Mas, pode cansar os olhos de quem observa. Uma coleção, ok. Uma edição especial da boneca, ok. Agora, uma profusão interminável de coisas sobre a tal boneca?? Ah não, totalmente desnecessário. Então, Mattel, chega de enfiar Barbie goela abaixo das pessoas. Já entendemos que ela é um ícone fashion. Tem até um Instagram, coisa de pessoa antenada. Para a moda, fica a dica: mais originalidade e menos mercado, please!

Barbie, Barbie, Barbie... Na Moschino.

Barbie, Barbie, Barbie… Na Moschino.

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Pensando sobre as semanas de moda

Não, este não é um post sobre tendências desfiladas na semana de moda de Nova York ou Londres. Não me interessa falar sobre o militarismo (de novo?!), o xadrez que imita toalha de pique nique ou a mania do make “cara lavada”. Essas coisas você encontra em vários portais de moda e beleza. Aqui temos apenas uma reflexão sem compromisso sobre o futuro dessas amadas e idolatradas semanas de moda que percorrem todo o mundo, incluindo o Brasil.

Sabem, eu honestamente acho que todos esses eventos vão acabar. Agora é o momento em que você faz uma pausa dramática… Mas, falo muito sério. E não estou dizendo que todas vão terminar daqui uns 50 anos, tipo, na época em que minhas netas vão começar a entender moda e estourar seus cartões de crédito. Acho de verdade que vão acabar em breve mesmo, antes que possamos imaginar. Tenho lido matérias com bons sinais para esse meu palpite

Vejam só: algumas pessoas importantes já disseram que as semanas de moda, lá no princípio imaginadas para mostrar aos compradores e à imprensa as principais tendências do mercado, agora são apenas shows onde o mais bonito tenta aparecer loucamente. Como, mais bonitos, podemos entender as blogueiras das modas, atrizes e semicelebridades de todas as espécies. O objetivo inicial de promover as empresas acabou ficando em segundo plano.

Outro fator importante que preciso comentar é o crescimento abundante da internet e redes sociais. Saibam vocês que muitos compradores influentes não vão mais aos desfiles e assistem tudo bem longe da muvuca que é uma sala de espetáculo. É pela rede que assistem, decidem e compram. Temos exemplos de grifes que se firmaram assim, vide o case Patrícia Bonaldi e sua PatBo. Além disso, as marcas não precisam tanto da divulgação já que possuem Instagrans, Facebook, Twitter…

Na verdade, acho que as marcas ainda curtem gastar muitos dólares em um espetáculo como esse porque eles, apesar de toda a divulgação obtida na internet que já disse no texto, dão ibope. A imprensa especializada cai feito abelha no mel em cima de um bom desfile. Daí comentam, comentam, comentam… E tudo mundo fica sabendo. É mais barato que uma série de ações de marketing combinadas, juro procês.

Caso duvide de minhas informações desencontradas, vai aí um fato concreto: hoje vi que João Paul Gaultier não fará mais peças em read-to-wear, se dedicando exclusivamente à Alta-Costura. Como justificativa, o estilista disse que é muito rápida a velocidade de produção desse tipo de roupa, o que inviabiliza a criação. Desse modo, não veremos com tanta freqüência criações de Gaultier nas passarelas. Além disso, existe aí um movimento chamado slow fashion, que tenta diminuir a velocidade enlouquecida que o mundinho fashion adotou para a vida. Se isso acontecer mesmo, vai faltar notícia para tanta semana de moda.

Mas, esse é um daqueles casos em que precisamos esperar para ver se minha aposta se concretizará ou se sou louca mesmo por pensar que as semanas de moda vão acabar. Pois é, então, é tempo de aguardar as cenas dos próximos capítulos.

O militarismo sexy/enfrente a selva urbana de Marc Jacobs em NY City!

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A moda e suas perversidades

Eu poderia estar falando da semana de moda de Nova York? Poderia. Poderia estar falando sobre o aniversário do miguxo Karl Lagerfeld? Sim. Mas, como minha cabeça é maluca e este blog não é sobre moda, posso me reservar o direito de comentar sobre o que quiser, seguindo minha própria agenda mental tresloucada.

Seguinte: dia desses estive em uma favela aqui de BH. O motivo? Bom, fiquem com a explicação de que sou jornalista e por isso ando bastante. Ótima explicação e ponto. Não tinha drogas ou álcool envolvido no acontecimento, juro pela alma da Nina, minha gata preta. Aí, nessa favela, ou comunidade, ou aglomerado, ou tudo junto ao mesmo tempo, fiquei observando as condições de vida dos moradores.

Gente honesta e simples que não tem luz direito, uma casa decente, saneamento básico, facilidade de locomoção… Achei o cenário sofrido e alegre e tive um nojinho básico das pessoas que nos governam. Mas, enquanto tirava essas conclusões, chutei – literalmente – uma sacola da marca Ellus, que estava jogada fora junto a uma pilha de lixo. A observadora do mundinho fashion não agüentou e teve que parar para averiguar a cena.

Tratava-se realmente de uma sacola ainda em bom estado desta famosa grife brasileira.

Quanto a luz se fez na minha cabeça, pensei em milhões de coisas: me lembrei do depoimento de uma dona de casa que dizia não conseguir pagar os gastos com roupas da filha porque ela só usava “coisa de marca”. Lembrei da moça do Youtube que disse não conseguir se sustentar com o auxílio do Bolsa Família porque “uma calça para uma jovem de 16 anos é mais de 300 reais”.

Lembrei de uma matéria que li no Estado de São Paulo cujo tema eram as brasileiras que adoravam parecer ricas para pertencer a um universo que lhes permitisse ascensão social e boa posição. Me lembrei, também, que, aqui no Brasil, marcas de luxo parcelam as compras, fato que – nunca, jamais! – acontece em outras nações.

A sacola da Ellus no meio da favela me fez ver o quanto as pessoas se sacrificam para estarem “na moda” e o quanto a indústria é cruel por incentivar essas práticas e lucrar com o afundamento financeiro alheio.

Sabem, eu amo moda, de verdade. São infinitos os benefícios que gostar de moda trouxeram para minha vida: consegui me descobrir como mulher, entender meu corpo, saber mais sobre minha personalidade, aprendi economia estudando moda. Mas, de modo algum, permito que esse gosto seja maior que eu mesma. E acho que é isso que acontece com as amigas que gastam todo o salário com pilhas e pilhas de roupas.

Para elas, se quiserem ouvir, digo o seguinte: goste de moda, sim. Mas, viva. Viaje, saia com as amigas, veja coisas e pessoas. Cresça e aprenda. Tentar entrar em uma tribo usando como ingresso as roupas que você veste não faz de ninguém um ser querido. Faz dessa pessoa, caso não tenha condições de bancar o estilo de vida, apenas mais um alguém que deve até as calças. Você, garota esperta e inteligente, quer isso? Eu não.

Ah, antes de ir: cês tão cansadas de assuntos sérios e cabeçudos, né? Vou já arrumar uns looks meus do dia para vocês se animarem a passar mais tempo aqui!

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Azul como sinal de amor

O que você pensaria se visse, andando pela Avenida Paulista, em São Paulo, várias garotas com cabelos azuis rindo alegremente pelo caminho? Tenho um palpite: você diria que são adolescentes exóticas que só querem chamar a atenção dos pais e, de quebra, chocar a sociedade. Já outros diriam que são garotas sinalizando que gostam de se relacionar com mulheres.

Mas a iniciativa não veio do nada. A moda começou após a popularização do filme “Azul é a cor mais quente”, dirigido por Abdellatif Kechiche. O longa ganhou a Palma de Ouro no Festival de Canes, evento que dá indícios sobre como será a próxima premiação do Oscar. No filme, uma das personagens que vive um relacionamento homoafetivo tem as madeixas pintadas dessa cor.

O filme conta a história de Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma garota de 15 anos que não sabe o que quer da vida, mas faz o que se espera de uma adolescente: dar conta do ensino médio e fazer uma atividade produtiva, no caso dar aulas de francês. Em um determinado momento da história que dura quase 3 horas, ela conhece a artista plástica Emma (Léa Seydoux), uma garota moderna que começa a mostrar para Adèle que o mundo pode ser bem maior.

No desenrolar da história, em meio aos dramas e questões envolvendo famílias e modos de ser, as duas se descobrem e encontram a melhor forma de trilhar seus caminhos. Depois de assistir ao filme e minimizar todas as outras ideias que deixam como pano de fundo o amor entre as garotas, meninas resolveram adotar como sinal de preferência sexual o ato de pintar os cabelos de azul.

É interessante ver como as pessoas resignificam coisas que, a princípio, não tem valor algum dentro da construção de uma trama, como é o caso dos cabelos azuis de “Azul é a Cor Mais Quente”. A moda tem dessas coisas: dar simbologia para tribos. São escolhas e preferências que se materializam de alguma forma, tornando os diferentes, que buscam ser incomuns, iguais e reconhecíveis para outras pessoas que também buscam a diferença. Penso que a moda das garotas de cabelo azul é passageira, mas trata-se de um exercício interessante de observação.

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O poder da aparência

Quando eu digo que a roupa tem uma importância gigantesca em como as pessoas nos enxergam no mundo, o povo não acredita e acha que é bobagem desta pequena que está escrevendo. Mas, pessoas, não é bobagem minha não. O ser humano é um bicho visual e (sim!) preconceituoso. Desde que o mundo é mundo que as pessoas cultuam a beleza, mesmo ela tendo mudado seus padrões ao longo da história. Com a roupa, a extensão do ser, não é diferente.

Apreciamos aqueles que, em nossa opinião e com nossos conceitos de bom e ruim, estão bem vestidos. Inconscientemente, damos mais respeito a essas pessoas. É um hábito social incontrolável que dá trabalho para ser desmembrado. Não é culpa de ninguém, é culpa da construção dos grupos sociais. Você está aí, na sua cadeira, pensando: “porque diabos ela está falando tudo isso?” Vou explicar: acontece que esta semana vi um vídeo que me deixou chocada, quase virei um omelete de queijo tamanho foi meu espanto. Colocaram um homem vestindo casualmente deitado em uma praça, fingindo que estava passando mal. Demorou um tempão para que alguém, um policial bem relutante, lhe desse atenção. Depois, colocaram esse mesmo homem fazendo a mesma coisa, porém vestindo um terno bem cortado. Um batalhão de pessoas parou seu trajeto para ajudar. Espantoso, não é mesmo?

Eu não achei o vídeo no YouTube para incorporar ao texto, então trouxe o link e recomendo que vocês assistam. Não está em português mas, ainda assim, é possível perceber nitidamente como as pessoas agem diante de um homem bem vestido. Não é atoa que a reportagem diz que “a roupa pode salvar sua vida”. O link está aqui.

A roupa pode salvar sua vida.

A roupa pode salvar sua vida.

Não acho certo que as pessoas julguem os outros pela aparência. Já vivi situações onde esses conceitos foram colocados em primeiro plano. Mas tenho plena consciência de que, como disse no começo dessa reflexão, somo seres visuais e as roupas contribuem para nossa posição social. Tanto que, algumas pessoas, torram o salário todo para estarem bem vestidos e poderem participar de determinados grupos sociais. Será que um dia essa podridão perde o majestade? Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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Tirando a poeira das ideias

Desde que o mundo é mundo… Não, estou mentindo; desde o século XIX os desfiles de moda são feitos de um único jeito: entram na passarela modelos com expressões sisudas carregando no corpo as criações do estilista. Elas andam de uma ponta à outra da passarela e depois voltam para onde vieram. Ao fim do espetáculo o público aplaude e as luzes se apagam.

A invenção de Charles Worth, considerado o “pau da alta costura”, é ainda fórmula de sucesso para as apresentações de infinitos criadores. Porém, confesso que, quando alguém vem para dar uma sacudida no mundinho fashion, ganha fácil minha simpatia. É esse o caso da apresentação do americano Rick Owens durante a semana de moda Primavera/Verão Paris 2014.

Novas ideias.

Novas ideias.

Achei fantástica a desconstrução que Rick fez do que entendemos como desfile de moda; na passarela, ele colocou dançarinos que fizeram de seus corpos instrumentos de percussão. E esses bailarinos não lembravam em nada os padrões magérrimos que costumam circular por aí. A escolha foi por mulheres negras, com curvas. Gordinhas mesmo.

Claro que foi possível observar essa reinvenção nas roupas. Quem viu o desfile pode observar uma alfaiataria remodelada. Vestidos rígidos, bem cortados apesar de nada simétricos, deram destaque à apresentação. As cores foram o preto, branco, com leves lembranças de bege e verde. Nos pés, tênis, que não brigavam em nada com a dança que tomou o lugar das passadas de salto alto.

Muito bom!

Muito bom!

Talvez Rick tenha optado mostrar suas peças dessa forma inovadora para dizer que a moda precisa fugir do lugar comum dos desfiles. Ou então, o objetivo era dizer que padrões só existem para serem quebrados. Quem sabe ele só queria mesmo chocar, sem maiores pretensões? Não sei. Só digo que o desfile marcou. Eu não vou me esquecer desse espetáculo. E você?

Assista ao vídeo e comprove.

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