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Diferenças

Sim, este será mais um post sobre o São Paulo Fashion Week. Não é todo dia que alguém como eu vai á um festival como esse, então, aguente minha semana nomotemática. Ao menos estamos tendo textos, minha gente, não é um avanço?? Seguinte, hoje escrevo para falar sobre o momento em que me sentei e apenas observei as pessoas fashion de São Paulo.

Impressionante as conclusões que tiramos quando nos calamos e, apenas, olhamos. Não sei se vocês sabem, mas costumo cobrir o Minas Trend, semana de moda mineira que apresenta as tendências para a próxima estação e é acompanhada de um grande – e cansativo! – salão de negócios onde expositores de todo o país tentam vender suas apostas.

Pois bem, as pessoas que passeiam nesse salão, como em todo o evento, são muito diferentes das que vi circulando no SPFW. Chego a dizer que o povo “das modas” mineira é mais piora enquanto que o povo “das modas” paulista é mais moderno e criativo. Aqui, o importante é estar totalmente na tendência. Lá, a tendência também é importante, mas deve ser misturada à pitadas generosas de criatividade e originalidade.

Aqui você corre o risco de ver duas mulheres usando vestidos iguais só porque são da marca mais phyna do momento enquanto que lá você consegue observar looks que julgava serem impossíveis até aquele momento. Aqui em Mimas as pessoas têm um certo medo de ousar enquanto que em São Paulo a pauta do dia é a ousadia, modernidade e criatividade.

Eu não sei se isso acontece porque o São Paulo Fashion Week é para levar ideias ao mercado enquanto que o Minas Trend serve para levar o produto já pronto. Também não sei se isso acontece porque o pessoal de SP recebe mais influência do mundo, enquanto que nos criamos uma hierarquia entre as montanhas. Só sei que a diferença entre os estilos é bem palpável para aqueles dispostos a falar menos e observar mais…

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Sobre a polêmica do ensaio fotográfico que aborda o estupro coletivo

Estava eu aqui, quietinha no meu canto, cuidando da minha vida, trabalhando em cima de várias pautas e infinitas fitas de televisão quando, de repente, não mais que de repente, me surge aos olhos a notícia de que um fotógrafo indiano está sendo duramente criticado nas redes sociais por produzir um ensaio de moda cujo tema são os estupros coletivos que acontecem na Índia com uma freqüência incômoda e intolerável. E, se o mundinho fashion apronta, é preciso que eu entre em ação (neste momento me sentindo uma heroína, #sqn).

Jornalista que sou, fui investigar a notícia e entender o babado nos mínimos detalhes para comentar com vocês desse meu jeito doce e encantador que tanto faz sucesso. É verdade mesmo, o fotógrafo Raj Shetye está sendo atacado por ter clicado, para uma publicação local, fotos que remetem ao estupro coletivo vivido em 2012 por uma estudante de fisioterapia que contava 23 anos na época. A garota, que acabou falecendo, foi molestada dentro de um ônibus e não teve nenhuma chance de defesa. Desde então, após a revolta nacional, as leis indianas relacionadas ao assunto sofreram mudanças favoráveis ás mulheres e seus direitos.

Panorama exposto, vamos às reflexões que formulei dentro da caxola: o ensaio realmente remete – reparem que eu disse “remete”, do verbo “é parecido” e não “retrata” do verbo “fazer igual” – o acontecido com a estudante e isso com certeza iria provocar falatório já que o fato é bárbaro, desumano e cruel. Mas, segundo o fotógrafo, era essa a intenção da iniciativa: promover reflexão quanto a um problema que, de certo modo, é corriqueiro no pais. Não sei se o argumento foi pensando após a repercussão, mas, em todo o caso, faz sentido para mim.

Bem polêmico.

Pessoas, desde que o mundo é mundo que a fotografia retrata o cotidiano e a moda tenta imitar algumas coisas que acontecem nesse cotidiano que é a vida real. É verdade que, na maioria dos casos, a parte da qual se ocupa o mundinho fashion é a mais glamourosa e interessante, deixando de lado alguns problemas sociais porque problema social não instiga desejo de consumo, portanto não vende. Chegando nesse ponto, outra coisa interessante para se falar nesse caso, já que, segundo as fontes que li, as roupas, apesar de serem bem bacanudas, não receberam crédito de marca ou preço, apesar de serem criações de estilistas indianos. Creditar é normal nos editoriais porque assim as pessoas vão saber onde adquirir as peças, é uma forma de venda mais velha que andar pra frente. Aí outra coisa que me leva a ver coerência no argumento do moço que fez o ensaio.

Mais uma coisa: o nome do ensaio é, em tradução livre do inglês, “Caminho Errado”. Título apropriado demais da conta, já que a míninca coisa que podemos falar de um estupro coletivo é que se trata de um caminho errado, não é verdade leitores lindos? Uma última coisa – gente, isso aqui já ta ficando enorme e vocês vão desistir de ler! – que preciso dizer: se essa iniciativa fosse comprada por alguém como o Sebastião Salgado – isso é só um exemplo, gente! – vocês teriam a mesma reação? Muitas pessoas veem a moda como algo fútil e desnecessário. Para esses, digo apenas: você não anda pelado e as roupas que escolhe para enfrentar o mundo refletem sua personalidade já que o supermercado de estilos está aí e ninguém vive apenas de camisolas cinzas de malha. Muita coisa pode ser observada estando na sacada do mundinho fashion, inclusive acontecimentos que assolam o mundo, como esse. Bom, esta é minha opinião, e você, pensa o quê?

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Isso é tão fora de moda

Dia desses, quando fui cuidar das patinhas, digo, fazer as unhas, me deparei com uma coisa muito engraçada e, ao mesmo tempo, aterrorizante. A recepcionista do salão que costumo freqüentar – confesso, não tenho capacidade para pintar as unhas assim, by myself – atendeu a ligação de uma moça que perguntava se alguém poderia repintar suas unhas porque seu pai tinha obrigado a coitada a retirar todo o esmalte já que, segundo ele, a cor estava muito vibrante e chamativa.

Ainda segundo a moça que atendeu a ligação, o pai da garota, que já conta 23 primaveras e é casada, fez isso porque a religião da família, de orientação evangélica, não acha ser de bom tom mulher usar cores muito extravagantes. Ainda, segundo a recepcionista – calma que ta acabando!- a cor escolhida pela garota era um rosinha bem clarinho, com alguns nuances discretos de brilho.

Confesso que fiquei assustada ao ouvir o relato e, depois de um pouco refletir, decidi compartilhar o acontecido com vocês. Digam-me leitores lindezas, sou eu a única que acreditava ter ficado no século XVIII esse tipo de opressão babaca contra as mulheres? Sou só eu a sonhadora que via o mundo do século XXI como um interessante lugar melhor para se viver do ponto de vista fashion?

Acho estúpido, babaca e inadmissível que nós, mulheres, ainda sofremos esse tipo de abuso por pais, maridos, parentes ou qualquer tipo de agregado do sexo masculino. Também acho inaceitável que a desculpa para um comportamento como esse tenha sido a religião, seja ela qual for. Honestamente, acho que Deus tem muitas outras guerras – alô Faixa de Gaza! –  para se preocupar e a unha de uma pessoa é o menor de seus problemas.

Além de tudo isso que já falei, esse absurdo também é um ato que poda a personalidade porque, conscientemente ou inconscientemente, o modo como pintamos as unhas diz um bocado sobre como somos e o que queremos. Eu, por exemplo, tenho a personalidade  um tantinho forte e não tenho muito medo das coisas. Por isso o tom mais claro que uso nas unhas é um vermelho bem fechado e sou super fã de colocar preto nas patinhas.

Essa moça que escolheu o rosa clarinho, e ainda assim foi desrespeitada em sua vontade, ou é uma pessoa bem discreta e tímida ou age assim por medo de represálias que, ainda assim, continuam ocorrendo. Tenho dó da garota, que foi reprimida, mas tenho mais dó ainda do repressor porque, afinal de contas, ele é estúpido e, pelo visto, vai morrer estúpido. A moça ainda é jovem e, se tiver forças, pode chutar o pau da barraca e tratar de viver sua vida. Pensando do jeito que quiser, pintando as unhas da forma que melhor entender.

Meu rosinha claro é assim.

Meu rosinha claro é assim.

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Boletim Fashion #2

Mais um boletim fashion saindo quentinho do forno! Nesta edição, falo sobre a vida do eBay para o Brasil, já que agora as loucas por compras online vão poder arrematar suas mercadorias em um site totalmente em português. Também comento sobre as campanhas que mostram famosas sem maquiagem; uma boa ideia que poderia ser executada de maneira mais leve. Também comento a relação existente entre moda, arte e objetos de consumo, pedido de uma amiga querida.

Um bjo e espero que gostem!

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O poder da aparência

Quando eu digo que a roupa tem uma importância gigantesca em como as pessoas nos enxergam no mundo, o povo não acredita e acha que é bobagem desta pequena que está escrevendo. Mas, pessoas, não é bobagem minha não. O ser humano é um bicho visual e (sim!) preconceituoso. Desde que o mundo é mundo que as pessoas cultuam a beleza, mesmo ela tendo mudado seus padrões ao longo da história. Com a roupa, a extensão do ser, não é diferente.

Apreciamos aqueles que, em nossa opinião e com nossos conceitos de bom e ruim, estão bem vestidos. Inconscientemente, damos mais respeito a essas pessoas. É um hábito social incontrolável que dá trabalho para ser desmembrado. Não é culpa de ninguém, é culpa da construção dos grupos sociais. Você está aí, na sua cadeira, pensando: “porque diabos ela está falando tudo isso?” Vou explicar: acontece que esta semana vi um vídeo que me deixou chocada, quase virei um omelete de queijo tamanho foi meu espanto. Colocaram um homem vestindo casualmente deitado em uma praça, fingindo que estava passando mal. Demorou um tempão para que alguém, um policial bem relutante, lhe desse atenção. Depois, colocaram esse mesmo homem fazendo a mesma coisa, porém vestindo um terno bem cortado. Um batalhão de pessoas parou seu trajeto para ajudar. Espantoso, não é mesmo?

Eu não achei o vídeo no YouTube para incorporar ao texto, então trouxe o link e recomendo que vocês assistam. Não está em português mas, ainda assim, é possível perceber nitidamente como as pessoas agem diante de um homem bem vestido. Não é atoa que a reportagem diz que “a roupa pode salvar sua vida”. O link está aqui.

A roupa pode salvar sua vida.

A roupa pode salvar sua vida.

Não acho certo que as pessoas julguem os outros pela aparência. Já vivi situações onde esses conceitos foram colocados em primeiro plano. Mas tenho plena consciência de que, como disse no começo dessa reflexão, somo seres visuais e as roupas contribuem para nossa posição social. Tanto que, algumas pessoas, torram o salário todo para estarem bem vestidos e poderem participar de determinados grupos sociais. Será que um dia essa podridão perde o majestade? Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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Som de sexta: Nando Reis

Essa semana foi bem intensa para mim, mas tudo bem porque eu sobrevivi e estou aqui, linda e ruiva, conversando com vocês. Mas, diante de tanta ventania, aprendi que para ficarmos de pé de vez em quando é melhor olhar para dentro e pensar no amor. Deve ser por isso que escolhi esse som, do Nando Reis: Mantra.

Nando Reis e sua turma da paz.

Nando Reis e sua turma da paz.

A música fala que, depois que perdermos tudo, ainda teremos o amor, que vai nos levar para cima, fazendo que nos transformemos em pessoas melhores. Sabe gente, eu acho mesmo que essa vida é muito curta para ficar semeando ódio, apesar de ainda não ter conseguido me livrar da minha ansiedade crônica. Mas, sigo tentando. E cantando. Sempre. Esse e o único caminho que conheço.

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Manifesto contra a idiotice

Vou usar este bloguito como palanque para demonstrar minha indignação com o SBT. Sim, minha gente, ainda assisto ao SBT porque na minha casa a TV à cabo continua sendo uma realidade distante devido ao futebol. Mas, essa história explico outro dia. Ou não explico, já que o assunto é outro. O importante é expressar meu descontentamento com o canal do Sílvio Santos.

Vocês, garotos e garotas entendidas de televisão, propaganda e marketing podem me explicar porque raios os caras do SBT colocam banners da marca Jequiti no meio dos programas? São propagandas rasgadas mesmo, sem nenhum respeito ou cerimônia com nossos olhos. É assim: você está lá, bem vendo o jornal, aí de repente aparece um perfume da marca na sua cara!

Se um dia eu quiser mesmo comprar qualquer coisa da marca de cosméticos do tio Sílvio, eu procuro uma revendedora e compro. Ou não, porque já testei um batom deles e detestei tudo, do cheiro á cobertura. Mas, pelo amor de Deus, parem de ficar enfiando essas coisas na nossa cabeça. Honestamente, se eu trabalhasse no departamento comercial dessa empresa, pediria demissão.

Não sei se esse negócio de propaganda subliminar funciona plenamente, eu particularmente fico irritada com essa tentativa explícita de manipulação. Acredito muito mais em uma estratégia inteligente de marketing e posicionamento no mercado. Forçar as pessoas não funciona. Funciona é convencer, mostrando que os produtos tem categoria. Então, por favor Sr. Sílvio, pare de fazer de sua TV um parque de diversões e deixe a estupidez de lado. Repense os produtos, crie seguidores. É assim que se vende. #prontofalei

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