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Tudo que você não precisa ser

Dia desses o artista Nickolay Lamm apresentou Barbies com beleza semelhante a real da mulher americana. Diga-se de passagem, bastante parecida com a nossa também. Ele se baseou em estudos que indicaram as medidas possíveis de uma mulher com 19 anos. Bonecas fabricadas em uma impressora 3D aparecem com um quadril mais largo, baixas, pés maiores e pernas grossas. Veja a diferença entre a Barbie original e a boneca fabricada pelo artista.

De mentira e de verdade.

De mentira e de verdade.

Há algum tempo, esse mesmo artista propôs bonecas Barbie de cara lavada, sem maquiagem alguma. Isentas desse artifício até as bonecas parecem ter rostos completamente diferentes. Exatamente como muitas de nós quando não usamos base, blush, corretivo e toda essa parafernália belezística disponível nas prateleiras…

Com make, sem make.

Com make, sem make.

A ideia gerou polêmica. E como tudo que é polêmico tem espaço aqui no bloguito, vim compartilhar minha opinião. Acho assim: os padrões de beleza mudam ao passar do tempo. Houve uma época, em que a Europa vivia os tempos medievais, um perrengue danado. Nessa época, legal era ser gordinha porque pessoas gordas demonstravam saúde e, como todos queriam comer e ser saudáveis como os nobres, o negócio mais interessante era ser gordo.

Eras depois, quando o estímulo à malhação veio com tudo nos anos 1980, para ser considerada bonita o jeito era ser magra musculosa, com cara de rata de academia. As mulheres desse período também adoravam andar por aí usando malha de ginástica. Coisa mais linda, só que ao contrário.

Hoje, acredito que um pouco pela popularização da moda e dos eventos e pessoas que dela fazem parte, o belo é ser magra como as modelos da passarela. Quanto mais cabide a mulher conseguir ser, melhor para a popularidade dela, já que será admirada. Muitas fazem dietas absurdas para se assemelharem ás caveiras. Bizarro…

Voltando á boneca Barbie, o primeiro exemplar foi fabricado há 50 anos. Nesse tempo as mulheres ainda não eram magérrimas, mas, como a boneca soube se adaptar muito bem às situações sociais que o mundo enfrentava, e soube captar os desejos das garotas de cada geração, ela sobreviveu ao tempo e ás crises. Até agora.

Segundo a Mattel, empresa que produz o brinquedo, em 2008 houve queda de 9% nas vendas sendo que, no último trimestre desse mesmo ano, a retração global foi de 21%. Resultado alarmante para uma empresa, acredito eu, mesmo não entendendo muito de números. Dizem os sabidos que a Barbie está perdendo mercado para a Bartz, boneca mais moderna e com medidas não tão impossíveis para as mulheres.

A rival: Bartz.

A rival: Bartz.

Tudo na vida é um ciclo e, com os padrões de beleza, a história não é diferente. Uma moda chega, contagia as pessoas, depois caí no ridículo para sumir e, tempos depois, voltar timidamente. Talvez as pessoas estejam se cansado de ser muito magras já que, além de feio, o comportamento não é saudável ou sustentável por um longo período, já que o natural é engordar.

Todos dizem que a Barbie ajuda a ditar esse tal padrão de beleza. Sim, ela tem lá sua contribuição, mas não é só culpa da loira platinada; mídia, grupos sociais e indústria também entram no baile dessa ditadura. A boneca de Nickolay Lamm criou polêmica porque confrontou todo esse sistema do qual fazemos parte. Não adianta dizer que você está salvo.

O bom de tudo é que, como eu disse, os ciclos morrem. Espero que, em breve, o slogan “Barbie, tudo que você quer ser” dê espaço para que as meninas digam: “Barbie, tudo que você não precisa ser”. Minha sugestão não tem lá muita métrica, mas com certeza trará mais felicidade.

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Aquela calça de grife

Já contei que eu sou a loka das liquidações, promoções e pechinchas? Pois é, minha gente, essa moça sou eu, escrita e desenhada. Farejo uma remarcação exatamente como um cão fareja boa comida. Mas recentemente, decidi fazer uma loucura econômica, no melhor estilo Becky Bloom de ser. Comprei uma calça de grife. Ela custou exatos R$ 275,00 reais, um valor absurdo para mim. Vou pagar em seis vezes no carão de crédito, sem juros.

Deixo claro, e muito claro, eu não sou rica e meu orçamento é bem pequenino. Só queria muito a tal calça, ficava babando por ela na vitrine, pensei quase um mês se devia comprar. Só me decidi quando minha mãe me chamou de muquirana. A calça é da Patogê“amado, idolatrado, salve salve!’ por muitas garotinhas aqui em Belo Horizonte.

A calça de grife - um

Mas quando eu, a maluca das liquidações, digitei a senha na maquininha de cartões para pagar a pomposa conta, o universo perdeu seu equilíbrio e tudo começou a dar errado. Vocês sabem que sou baixinha né? Mas eu sou baixinha até usando salto alto então tudo que compro precisa ser cortando, encurtado e, ás vezes, apertado. Então fui à costureira toda feliz e contente fazer a bainha na minha nova aquisição.

O comprimento não ficou certo quando a lindeza foi ajeitada na primeira vez. Nem ficou bom na segunda. Só foi acertado quando fui à costureira pela terceira vez. Um recorde. Depois de tanto cortar, achei que minha história com a calça de grife tinha, finalmente, ganhado um final feliz. Engano meu. As desventuras só estavam na metade: descobri, da pior maneira possível, manchando uma querida bolsa clara, que a tão desejada peça soltava cor, e manchava tudo de vermelho. Quase chorei nessa parte…

A calça de grife - dois

Pensei: “é só tomar cuidado, né? Isso acontece com algumas roupas, coisa normal”. Porém, em uma bela manhã de sol, estava eu andando com a calça vermelha pela rua quando, de repente, não mais que de repente, um dos três botões da bendita resolve ganhar o mundo, saindo na minha mão, acredita? Por esse valor, me nego a crer até agora.

Estou começando a achar que não nasci para usar as tais calças de grife, sério. Como pode alguém dar tanto azar com uma peça de roupa tão desejada? Estou pensando seriamente em mandar benzer essa calça. Quem sabe um exorcismo para tirar os maus espíritos da pobrezinha? Se eu tiver mais problemas, venho contar para vocês. Alguém aí já passou por situação parecida ou eu sou a única totalmente azarada por aqui? Rezem por mim, “o trem tá feio”. Oremos por um final feliz!

A calça de grife - três

A gata Nina fazendo uma pontinha na foto. kkkkkk

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E a imprensa?

Deem "Oi" para o meu crachá de imprensa!

Deem “Oi” para o meu crachá de imprensa!

O Minas Trend acabou faz quase um século. Já estamos no meio do Fashion Rio, e eu aqui falando dele. Ah gente, vocês sabem que esse bloguito tem seu próprio tempo. Então senta que lá vem a história. Minha credencial de press está aqui porque preciso fazer uma reflexão, meus caros.

Pelos corredores do salão de negócios vi incontáveis jornalistas correndo atrás da melhor foto, da tendência mais bombástica, da personalidade mais reluzente. Isso tudo faz parte do show e faz parte também do ofício “jornalismo de moda”. Também faço isso e me orgulho muito de dar conta do recado, de verdade.

Ainda assim, nessas horas eu penso: é mesmo só isso? Não é possível que o mundinho fashion seja apenas plumas e paetês. Existe, sim, o lado negro dessa força social que é a moda. E quanto aos bolivianos que ganham 300 reais por mês para cortar não sei quantas calças para a grife top do momento? E as grifes que não tem como arcar com os custos de um desfile e por isso pensam em recorrer aos financiamentos públicos? E os animais que são mortos para dar vida a um único casaco de pele? Isso precisa ser exposto, gente!

Sou por natureza uma pessoa muito crítica e talvez eu só esteja vendo pelo em ovo, mas acho que não devemos viver apenas no céu de brigadeiro das tendências e das it grils. É preciso “pensar a moda” de um jeito mais responsável. Todas as editorias fazem isso, por que não essa?

Que fique claro: não sou contra o raso, o divertido, o passatempo. Só penso que é preciso haver espaço para pensar e ver os defeitos dessa coisa tão bonita e que eu gosto tanto. Tudo tem dois lados, não acham? E se algum de vocês pensa diferente desta que vos escreve, por favor, conta para mim nos comentários. Vou ficar muito feliz se compartilharem suas opiniões comigo!

Um bjo procês!

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Já parou pra pensar?

Já parou para pensar nas roupas que você veste? Ás vezes estamos em um dia colorido, onde nosso coração pede coisas fofas e solares. Outras vezes, nos sentimos cinzas, como os dias em que a chuva ameaça a cair, mas não cai. Nossa primeira opção fashion é entrar dentro de um modelito escuro porque estamos nublados também.

Pensando... (Foto: Raíssa Daldegan)

Pensando… (Foto: Raíssa Daldegan)

Acontece de acordarmos felizes e saltitantes, como quem viu o passarinho verde. Nasce a vontade de nos emperiquitar até quase se parecer com uma linda árvore de natal. Existe o outro lado: há dias em que levantamos da cama apenas porque temos responsabilidades, então escolhemos a primeira roupa que vemos.

Vez ou outra, acontecem coisas que nos dão vontade de inventar moda. Tipo, ir ao guarda roupa e combinar a blusa nova com a saia que você jamais imaginou que ficaria interessante. Outras vezes, alguém foi criativo por você e inventou a combinação perfeita para te deixar gata.

Não entendeu onde quero chegar?

Tudo bem. Minha amiga (só que não) Cris Guerra, explica tudo nesse vídeo. A propósito, hoje amanheci sem ideias então a Cris inspirou meu pensamento.

😎

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Poses

Mulheres em poses escalafobéticas usando vestidos que custam quase nosso salário integral. Muito bem maquiadas, muito bem colocadas e algumas muito bem retocadas pelo PhotoShop. Olhares não muito expressivos e bocas algumas vezes semiabertas. Tudo natural.

Só que não. Em uma análise bem fria e unilateral é assim que os editoriais de moda podem ser interpretados; fora da realidade de muitas de nós, que acordam às seis e trinta da manhã para trabalhar todos os dias da semana. Percebendo isso, a artista espanhola Yolanda Domínguez produziu o curta “Poses”.

A ideia é colocar mulheres reais fazendo poses que vemos em editoriais de moda. O engraçado é que as pessoas acham as atrizes malucas. Param para ver se estão passando mal ou se são apenas loucas perdidas no meio da rua. Acompanhe:

As pessoas olham espantadas, algumas param. Acredito que outras poucas chegam a ficar com medo. Compreensível. Eu me espantaria se esbarrasse com pessoas paradas no meio da rua, de braços esticados e boca meioaberta.

Cena de "Poses". O lixeiro cutucando, literalmente, a modelo. Curtiu?

Cena de “Poses”. O lixeiro cutucando, literalmente, a modelo. Curtiu?

Mas é interessante que os editoriais sejam analisada por outro prisma. As modelos que se apresentam quase sem expressão, em posições impraticáveis no dia a dia, estão ali para tentar deixar o produto exposto atraente e bonito. Porque são cabides.

É meio cruel falar assim, mas se formos pensar friamente as mulheres das revistas são meras vendedoras de luxo.  Por isso tanto retoque, maquiagem, luz e belos cenários.  Em minha opinião de leiga e curiosa, o que interessa é resaltar as roupas.

Isso não quer dizer que essas mulheres devem ser ignoradas. Veja o caso da top Gilese Bündchen ou da inesquecível Naomi Cumpbell. Essas fazem parte do time de poucas que conseguem dar personalidade para a roupa que carregam. Acho fantástico, mas raro.

Não adianta arrancar os cabelos se você não é com as mulheres das revistas de moda porque elas não existem de verdade. São meros recortes de uma realidade que precisa ser melhorada para produzir desejo. Elas não têm dias de cão no trabalho, não pegam conduções lotadas, nada disso. Só existem dentro de revistas. Nós – eu, você, sua mãe, sua cunhada, sua irmã -, existimos no mundo, é muito mais divertido. Não há limite para nossas poses. 😎

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Ser bonita

Outro dia estava cá com meus botões pensando sobre meninas que usam a moda para se esconderem delas próprias. Mulheres que compram a bolsa mais cara, o sapato de salto mais alto, só para dizerem que possuem esses bens.  É uma pena.

Gente, oi! Tendências não devem ser cortinas para esconder nossos medos e inseguranças do mundo. O certo é que trabalhem para que fiquemos mais bonitas, elegantes e de bem com a vida.

Todo mundo tem suas inseguranças, porque viver é uma montanha russa; hora estamos por cima, hora por baixo. Pessoas indelicadas também nos deprimem com palavras desagradáveis. Mas comprar o mais lindo, o mais caro, o mais grifado, não traz felicidade. O melhor é fazer sua jogada de cabelo mais poderosa e seguir em frente.

Cada margarida e única, por isso especial, diferente e fascinante. 8-)

Cada margarida e única, por isso especial, diferente e fascinante. 😎

Proponho o seguinte: já que o ano começou hoje, porque no Brasil tudo anda depois do carnaval, vamos tentar não usar as roupas como esconderijo? Para começar, experimente sair de casa um dia sem maquiagem. Ou, quem sabe, evite reparar na marca que as pessoas usam.

Você é bonita. Todas nós somos. Cada uma com sua peculiaridade; pode ser o cabelo curtinho, sardas, a pele morena cor de jambo. Não interessa o que você tem de melhor, importa que você é única. Isso é fascinante.

Pequenas atitudes causam mudanças ao nosso redor e em nosso interior. Tenho certeza de que você receberá elogios, dirão que está radiante. Use a moda sim, mas para ressaltar seus pontos positivos e os nuances de sua personalidade. Assim vai conquistar o mundo e, quem sabe, impressionar aquele moço de quem você gosta. Já pensou?

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É doce estar na moda

É unanimidade que nós gostamos de moda. E também é certo que apreciamos as grifes e marcas famosas, porque as coisas que fazem são belas e ponto final. Mas nosso amor pela moda não deve nos emburrecer, minha gente!

Vejo pelas ruas pessoas que compram bolsas, tênis, blusas, óculos com símbolos enormes de marcas. Muitas vezes essas peças não são originais, ao menos. A intenção é ostentar que se tem o poder de “ter” aquela coisa, ainda que tudo não passe de ilusão.

roupa falsificada

A marca não seria Puma? E desde quando pumas fumam?

Pensando nisso, separei este vídeo do poema Eu, Etiqueta, de Carlos Drummond de Andrade. Ouçam com atenção, porque o recado é curto, mas importante.

😎

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