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Prefeitura de Nova York faz campanha para mostrar que meninas são bonitas, independente de sua aparência

Para levantar a autoestima das meninas de Nova York, a prefeitura da cidade elaborou uma campanha com o objetivo de mostrar para garotas de nove a 12 anos, pré-adolescentes, que elas são bonitas como são e não precisam se preocupar em se encaixar em padrão algum. A iniciativa foi tomada após pesquisas apontarem que problemas relacionadas a não aceitação do próprio corpo, como bulimia, depressão, anorexia, estão sendo detectadas cada vez mais cedo.

Os cartazes publicitários das campanhas são alegres, mostrando meninas com vários tipos de beleza dizendo que são bonitas porque são garotas. As fotos estão acompanhadas da frase “sou uma garota e sou bonita do jeito que sou”. A ideia é dizer que essas meninas são únicas, exatamente como as margaridas que vemos nos campos; algumas são gordinhas, outras maiores, existem as menores e as fechadinhas, mas todas essas margaridas são lindas, exatamente como essas garotas.

Achei a iniciativa da prefeitura de Nova York louvável. É muito bom ver que o poder público tenta fazer alguma coisa nesse caso tão delicado. Mas, ao mesmo tempo, a necessidade da campanha me parece assustadora afinal, raciocine comigo: serão as influências externas da mídia, da moda, das atrizes de televisão, dos adultos – porquê não? – tão fortes ao ponto de já afetarem a cabeça de garotas que, na maioria das vezes, ainda não tiveram nem mesmo a primeira menstruação da vida?

Essas crianças, porque as garotas que são o alvo da campanha, de nove a 12 anos, ao meu ver, ainda não são mulheres, estão vivendo uma fase muito dura da vida, onde tentam construir suas identidades e procuram – ás vezes desesperadamente – ser aceitas em grupos sociais. Traumas nessa época da vida podem ser muito sérios e, acredite, eu não estou sendo apocalíptica. Isso é psicologia, meus caros.

Mas esse sistema mídia/moda/televisão não muda assim, tão fácil. Trata-se de um fenômeno social que está muito ramificado na sociedade. Exatamente como, na Idade Média, mulher bonita era mulher gorda porque as damas corpulentas tinham dinheiro para comprar comida. Aí, todas as outras também queriam ter dinheiro para comprar comida e, consequentemente, ficar gordas. Qualquer iniciativa visando melhorar esse cenário, tentando mostrar que ser como as mulheres que estão em baixo dos holofotes é quase impossível, é válida. O estranho é que a idade do público alvo desse tipo de campanha seja cada dia menor. Vale uma reflexão…

Ela é uma garota. Ela é linda como é.

Ela é uma garota. Ela é linda como é.

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Tudo tem dois lados

Pensei muito antes de escrever, mas não resisti. Tinha que falar sobre o editorial da Vogue America cujo tema é: Furacão Sandy. Não sou advogada, portanto não estou acusando ou defendendo. Sou jornalista e meu dever é pensar.

EditorialVogueSandyUm

Pausa para contextualização: em 28 de outubro de 2012 o Furacão Sandy atacou a costa leste dos Estados Unidos. Entre os estados afetados estava Nova York. Na cidade de Nova York, a maior do estado, a redação da Vogue América está.

Revistas são veículos formadores de opinião sobre o tema do qual tratam. Com a moda não é diferente. Há revistas que gostam desse ou daquele estilista. Outras apoiam determinado movimento, outras não. Elas têm um papel no meio social ao qual pertencem.

A intenção da Vogue era refletir sobre o acontecido. Talvez até homenagear quem atendeu as vítimas, como bombeiros e soldados. Repare nas fotos que trouxe para vocês. Com a iniciativa eles podem tentar ajudar quem ainda precisa. Ou seja: mostrar aos leitores que a tragédia existiu, mas que as coisas podem melhorar e que existem pessoas para ajudar.

EditorialVogueSandyDois

O editorial pretendia mostrar algo, formar uma opinião. Moda não é apenas “o bem vestir”, mas um fenômeno sociológico. Porém, existe outro lado: moda também é indústria. Vive de despertar desejo nas pessoas para que mercadorias sejam vendidas, fazendo a roda girar.

Como observadora do mundinho fashion reconheço que pode parecer esquisito ver uma tragédia retratada assim, com belos vestidos, nomes de marcas famosas e preços inacessíveis para muitos. Mas penso que, nesse caso tão delicado, não há espaço para esquerda e direita.

EditorialVogueSandyTres

Acho melhor ver essa atitude da Vogue América com um compadecimento a catástrofe. A equipe da revista está em Nova York; deve ter visto o sofrimento de que viu o Furacão Sandy passar. Desrespeitoso são fotos de certa personalidade brasileira, feliz em meio ao caos.

A moda luta, protesta, seduz e contesta com as armas que tem, no caso o editorial. Mas ela também vive de satisfação, desejo, dinheiro e obsolescência sazonal, características fundamentais para sua existência. É equilibrando os dois lados que o fenômeno “moda” existe e acontece. Fim da história.

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