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Sobre ternos divertidos e ideias antigas

Sabe uma coisa mega interessante que ando observando nesses tempos fashion modernéticos? A liberdade. E ela está aí para todo mundo: preto, branco, baixo, gordo, mulher e homem. Suspeito que as mocinhas feministas vão me odiar após ler esta afirmação mas, GUARDANDO AS DEVIDAS PROPORÇÕES, preciso dizer que os homens não costuam ter muita liberdade na hora de se vestir.

Mas, no passado, era pior. Antigamente, no começo do século vinte pra cá, anos 2000 o traje dos rapazes se resumia a pouca, ou nenhuma, estampa, calça de alfaiataria ou, no máximo, um jenas despojado, camisas de manga longa ou curta, sociais ou comportadas, bermudas para os dias extremamente quentes , ternos pretos para reuniões, smokings para festas refinadas e fim da história. Já nós, mulheres, podemos sair por aí com a roupa que queremos, inclusive as deles, sem dar maiores satisfações nem provocar grandes choques sociais. Se você, mocinha, quiser vestir uma melancia na cabeça o máximo que vai acontecer é te acharem louca. Ainda existem uns tapados que veem mulher de roupa curta e já saem apontando. Mas, thanks God, isso já tá mudando.

Claro, minha gente, que essa nossa liberdade fashion é uma conquista, mas essa pauta ficará pra outro momento. Os homens, quando resolvem inovar demais no closet, tem questionada sua sanidade, orietanção sexual, estilo pessoal, situação financeira, o bom gosto da companheira, o caráter e várias outras coisas que não nos atingem mais tanto assim. Basta usarem algo mais extravagente pra todo mundo ficar passado com a visão. Porém, repito: essa nossa liberdade só vem depois de muita luta. Ok, voltando ao texto, fiquei pensando nesse tema e resolvi compartilhar com vocês porque hoje vi umas fotos de uns looks do Ton Ford para a semana de moda de Londres, verão 2016, e achei babado as ideias.

Tom Ford – Londres – 2016

Tom Ford – Londres – 2016

Mas, seja sincero com você mesmo porque mentir pra si mesmo é a piror mentira: o que você pensaria se visse rapidamente um rapaz esses looks das fotos? Eu me chocaria, depois acharia um luxo! A gente sempre acha que a grama do vizinho é mais verde. Que a vida dos homens é mais fácil em todos os aspectos e blá blá blá mas, pessoal, arrisco-me a dizer que na moda somos muito mais livres que eles. Podemos usar o que quisermos e o mundo tem que respeitar isso e ponto final. Já eles, bem, ainda não conseguem se locomover tão levemente no mundinho fashion. Esse pensamento me traz outro a cabeça: será mesmo que todas as questões comtenporâneas tem apenas um lado? Vamos observar e aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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Sobre a polêmica do ensaio fotográfico que aborda o estupro coletivo

Estava eu aqui, quietinha no meu canto, cuidando da minha vida, trabalhando em cima de várias pautas e infinitas fitas de televisão quando, de repente, não mais que de repente, me surge aos olhos a notícia de que um fotógrafo indiano está sendo duramente criticado nas redes sociais por produzir um ensaio de moda cujo tema são os estupros coletivos que acontecem na Índia com uma freqüência incômoda e intolerável. E, se o mundinho fashion apronta, é preciso que eu entre em ação (neste momento me sentindo uma heroína, #sqn).

Jornalista que sou, fui investigar a notícia e entender o babado nos mínimos detalhes para comentar com vocês desse meu jeito doce e encantador que tanto faz sucesso. É verdade mesmo, o fotógrafo Raj Shetye está sendo atacado por ter clicado, para uma publicação local, fotos que remetem ao estupro coletivo vivido em 2012 por uma estudante de fisioterapia que contava 23 anos na época. A garota, que acabou falecendo, foi molestada dentro de um ônibus e não teve nenhuma chance de defesa. Desde então, após a revolta nacional, as leis indianas relacionadas ao assunto sofreram mudanças favoráveis ás mulheres e seus direitos.

Panorama exposto, vamos às reflexões que formulei dentro da caxola: o ensaio realmente remete – reparem que eu disse “remete”, do verbo “é parecido” e não “retrata” do verbo “fazer igual” – o acontecido com a estudante e isso com certeza iria provocar falatório já que o fato é bárbaro, desumano e cruel. Mas, segundo o fotógrafo, era essa a intenção da iniciativa: promover reflexão quanto a um problema que, de certo modo, é corriqueiro no pais. Não sei se o argumento foi pensando após a repercussão, mas, em todo o caso, faz sentido para mim.

Bem polêmico.

Pessoas, desde que o mundo é mundo que a fotografia retrata o cotidiano e a moda tenta imitar algumas coisas que acontecem nesse cotidiano que é a vida real. É verdade que, na maioria dos casos, a parte da qual se ocupa o mundinho fashion é a mais glamourosa e interessante, deixando de lado alguns problemas sociais porque problema social não instiga desejo de consumo, portanto não vende. Chegando nesse ponto, outra coisa interessante para se falar nesse caso, já que, segundo as fontes que li, as roupas, apesar de serem bem bacanudas, não receberam crédito de marca ou preço, apesar de serem criações de estilistas indianos. Creditar é normal nos editoriais porque assim as pessoas vão saber onde adquirir as peças, é uma forma de venda mais velha que andar pra frente. Aí outra coisa que me leva a ver coerência no argumento do moço que fez o ensaio.

Mais uma coisa: o nome do ensaio é, em tradução livre do inglês, “Caminho Errado”. Título apropriado demais da conta, já que a míninca coisa que podemos falar de um estupro coletivo é que se trata de um caminho errado, não é verdade leitores lindos? Uma última coisa – gente, isso aqui já ta ficando enorme e vocês vão desistir de ler! – que preciso dizer: se essa iniciativa fosse comprada por alguém como o Sebastião Salgado – isso é só um exemplo, gente! – vocês teriam a mesma reação? Muitas pessoas veem a moda como algo fútil e desnecessário. Para esses, digo apenas: você não anda pelado e as roupas que escolhe para enfrentar o mundo refletem sua personalidade já que o supermercado de estilos está aí e ninguém vive apenas de camisolas cinzas de malha. Muita coisa pode ser observada estando na sacada do mundinho fashion, inclusive acontecimentos que assolam o mundo, como esse. Bom, esta é minha opinião, e você, pensa o quê?

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Essa tal cultura de moda

Dia desses, li no FFW – site que, se quiser me contratar, me fará muito feliz e ganhará seu lugarzinho no céu – matéria publicada em resposta a afirmação “blogueiras não têm cultura de moda” feita por Godfrey Deeny, importante editor de moda do jornal francês “Le Figaro”. Pois é, daí fiquei pensando em como conceituar essa tal “cultura de moda”.

Se pensarmos que cultura de moda é assistir em loco a todos os destiles das semanas de moda mais importantes – Paris, Nova York, Milão -, como faz Deeny, poucas pessoas têm cultura de moda. Eu, no caso, seria uma burra no assunto porque nunca pus meus pezinhos fora do Brasil. Já prestigiei alguns desfiles, todos aqui na terra do pão de queijo mesmo, Belo Horizonte.

Agora, se pensarmos no quesito conhecimento sobre história da moda funcionamento de mercado e minúcias do tema, bom, aí pode ser que eu tenha alguma cultura e perícia no assunto. Sou pós-graduada em moda e leio tudo que poso sobre o mundinho fashion, além de trabalhar como jornalista de moda em alguns veículos. Se esse for o ponto de vista apoiado pelo editor do jornal francês, pode ser que eu saiba alguma coisa.

Mas, na verdade, acredito que Godfrey Deeny pretendia dizer que cultura de moda é um conjunto que mistura conhecimento sobre história e origens, acesso à informação de boa procedência, conhecimento sobre tendências e marcas interessantes, além de colheradas generosas cheias de pensamento crítico. Meu povo, vamos combinar duas coisas: alguns blogs famosos não conseguem juntar todas essas ciosas que citei em um texto interessante, com boa escita, e muitas pessoas não estão interessadas em ler pensamentos mais profundos entre um look do dia e outro por pura preguiça de pensar nas coisas.

Esse fenômeno é engraçado porque eu mesma ainda não sei se o trato com a moda é tão raso porque as pessoas não se interessam por profundidade ou os promotores de informação têm tanta preguiça de explicar as coisas e por isso tudo o que lemos é assim, capenga. Fica parecendo aquele papo do “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”

Penso que os blogs de moda realmente popularizaram as coisas, democratizando a informação e tudo mais. Também não acho que elas precisem fazer uma cronologia ilustrada de um estilista famoso, mas acredito que compromisso com a qualidade do conteúdo é importante e que, no fim das contas, essa é a grande crítica de Godfrey Deeny.

Algumas fulanas que falam de moda mataram um pouco da massa cinzenta de tanto colocar spray no cabelo, cês não acham? Mas nem tudo são trevas nesse mundo. Existem blogueiras interessantes. É só preciso paciência para procurar. Mas e você, tem cultura de moda?

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Analógicos ou digitais?

Acompanhantes, bloguetes, leitoras(os), como é que vão por esses dias? Eu de cá vou bem, obrigada por perguntarem. Como disse, não viria aqui esses dias; estava ocupada com o Minas Trend. Bem, talvez não tãoooo ocupada assim, mas vocês concordam que, de vez em quando, um tempo se faz necessário…

Estão pensando sobre o título de hoje, não é? Explico já: esta reflexão, “Analógicos ou Digitais?”, foi o tema do Minas Trend deste ano. Achei bem interessante mais, a meu ver, no mundinho fashion é impossível escolher uma das possibilidades, deixando a outra de em segundo plano.

Vestido todo coberto manualmente de cristais modernos.

Vestido todo coberto manualmente de cristais modernos.

Vou separar as duas palavras para dinamizar meu raciocínio, ok pessoas?

Analógicos: nesse contexto a palavra quer dizer apenas algo que funciona sem a necessidade de grandes inventices, sabe? Algo que vai bem com apenas alguns conhecimentos. Por exemplo: sei que algumas roupas, em algum momento do processo criativo, são cortadas e costuradas á mão, tipo época da vovó mesmo.

Digitais: trata-se de coisas e processos que precisam de um bocado de tecnologias para andar bem. Na moda, hoje existem uma infinidade de tecidos, dos quais eu confesso não entender muito bem, que precisam de tecnologias para serem tramados, estampados ou tingidos. Temos até acabamentos feitos a laser, pasme vocês.

Modernos, modernos, modernos...

Modernos, modernos, modernos…

É por isso que uma palavra não excluiu a outra, e as duas andam de mãos dadas felizes pelas estradas do mundinho fashion. É impossível costurar aquela roupa linda, feita com aquele tecido maravilhoso e moderno, sem usar técnicas usadas por nossas avós no tempo da onça. Por isso, achei o tema do Minas Trend desse ano bem legal.

Reflexões de segunda, a gente vê por aqui!

Analógicos, quase artesanais.

Analógicos, quase artesanais.

Bju bunitu 😎

PS: as fotos desse post são minhas. Tirei com o tablet portanto não ficaram láaaaaaaaa essas coisas. São da cenografia do evento e cada manequim tinha a proposta de um criador relacionada ao evento.

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