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Sobre a polêmica do ensaio fotográfico que aborda o estupro coletivo

Estava eu aqui, quietinha no meu canto, cuidando da minha vida, trabalhando em cima de várias pautas e infinitas fitas de televisão quando, de repente, não mais que de repente, me surge aos olhos a notícia de que um fotógrafo indiano está sendo duramente criticado nas redes sociais por produzir um ensaio de moda cujo tema são os estupros coletivos que acontecem na Índia com uma freqüência incômoda e intolerável. E, se o mundinho fashion apronta, é preciso que eu entre em ação (neste momento me sentindo uma heroína, #sqn).

Jornalista que sou, fui investigar a notícia e entender o babado nos mínimos detalhes para comentar com vocês desse meu jeito doce e encantador que tanto faz sucesso. É verdade mesmo, o fotógrafo Raj Shetye está sendo atacado por ter clicado, para uma publicação local, fotos que remetem ao estupro coletivo vivido em 2012 por uma estudante de fisioterapia que contava 23 anos na época. A garota, que acabou falecendo, foi molestada dentro de um ônibus e não teve nenhuma chance de defesa. Desde então, após a revolta nacional, as leis indianas relacionadas ao assunto sofreram mudanças favoráveis ás mulheres e seus direitos.

Panorama exposto, vamos às reflexões que formulei dentro da caxola: o ensaio realmente remete – reparem que eu disse “remete”, do verbo “é parecido” e não “retrata” do verbo “fazer igual” – o acontecido com a estudante e isso com certeza iria provocar falatório já que o fato é bárbaro, desumano e cruel. Mas, segundo o fotógrafo, era essa a intenção da iniciativa: promover reflexão quanto a um problema que, de certo modo, é corriqueiro no pais. Não sei se o argumento foi pensando após a repercussão, mas, em todo o caso, faz sentido para mim.

Bem polêmico.

Pessoas, desde que o mundo é mundo que a fotografia retrata o cotidiano e a moda tenta imitar algumas coisas que acontecem nesse cotidiano que é a vida real. É verdade que, na maioria dos casos, a parte da qual se ocupa o mundinho fashion é a mais glamourosa e interessante, deixando de lado alguns problemas sociais porque problema social não instiga desejo de consumo, portanto não vende. Chegando nesse ponto, outra coisa interessante para se falar nesse caso, já que, segundo as fontes que li, as roupas, apesar de serem bem bacanudas, não receberam crédito de marca ou preço, apesar de serem criações de estilistas indianos. Creditar é normal nos editoriais porque assim as pessoas vão saber onde adquirir as peças, é uma forma de venda mais velha que andar pra frente. Aí outra coisa que me leva a ver coerência no argumento do moço que fez o ensaio.

Mais uma coisa: o nome do ensaio é, em tradução livre do inglês, “Caminho Errado”. Título apropriado demais da conta, já que a míninca coisa que podemos falar de um estupro coletivo é que se trata de um caminho errado, não é verdade leitores lindos? Uma última coisa – gente, isso aqui já ta ficando enorme e vocês vão desistir de ler! – que preciso dizer: se essa iniciativa fosse comprada por alguém como o Sebastião Salgado – isso é só um exemplo, gente! – vocês teriam a mesma reação? Muitas pessoas veem a moda como algo fútil e desnecessário. Para esses, digo apenas: você não anda pelado e as roupas que escolhe para enfrentar o mundo refletem sua personalidade já que o supermercado de estilos está aí e ninguém vive apenas de camisolas cinzas de malha. Muita coisa pode ser observada estando na sacada do mundinho fashion, inclusive acontecimentos que assolam o mundo, como esse. Bom, esta é minha opinião, e você, pensa o quê?

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Sobre a palestra de Luiza Bomeny

Ontem foi um dia bem produtivo para mim. Assisti a uma palestra com Luiza Bomeny, representante do Instituto Marangoni, uma escola europeia de moda super conceituada que é o sonho de muita gente. O evento foi produzido em parceria com o blog Chata de Galocha, da mineira nada chata Lú Ferreira.

Muitos foram os temas abordadas durante o evento, fica até difícil escolher um para contar para vocês. O fato é que a especialista Luiza deu um panorama completo sobre o atual mercado de moda. Foi possível perceber o ambiente por diversos ângulos. Além disso, ela aproveitou para falar um pouco sobre a importância de um profissional versátil e bem preparado que é bastante disputado neste mercado monstro onde vivemos atualmente.

Um assunto que me chamou bastante atenção foi a nova definição de luxo. Acontece que, antigamente, achava-se que o luxo era ostentar o poder do dinheiro, comprando coisas icônicas das marcas como, por exemplo, a bolsa 2.55 média da Chanel porque assim todo mundo via seu patamar financeiro. Mas, hoje, isso mudou. Luxo é uma exclusividade inteligente. Agora a tendência é mesclar as coisas; um objeto grifado moderno combinado com outro não tão nobre assim.

Outra coisa que me chamou bastante atenção nas palavras da consultora foi a nova tendência para os blogs de moda. Parece que, depois desta febre escandalosa de looks do dia e esmaltes da semana, a it trend do momento será a inteligência. Reflexões mais profundas sobre o mercado de moda serão a novidade. Mas, essa mudança não desmerece o passado da blogosfera, afinal foi com essas garotas que a moda se popularizou e mudou. Mas, tudo chega à saturação e parece que este é o caminho que estamos trilhando.

Eu adoro palestras, vocês não? A quantidade de conhecimentos que adquirimos ouvindo uma pessoa inteligente por menos de uma hora é surpreendente. É como eu sempre digo: conhecimento nos faz crescer e refletir, sem contar que informação combina muito bem com qualquer peça de roupa. É ou não é?

Esta é Luiza.

Esta é Luiza.

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O poder da aparência

Quando eu digo que a roupa tem uma importância gigantesca em como as pessoas nos enxergam no mundo, o povo não acredita e acha que é bobagem desta pequena que está escrevendo. Mas, pessoas, não é bobagem minha não. O ser humano é um bicho visual e (sim!) preconceituoso. Desde que o mundo é mundo que as pessoas cultuam a beleza, mesmo ela tendo mudado seus padrões ao longo da história. Com a roupa, a extensão do ser, não é diferente.

Apreciamos aqueles que, em nossa opinião e com nossos conceitos de bom e ruim, estão bem vestidos. Inconscientemente, damos mais respeito a essas pessoas. É um hábito social incontrolável que dá trabalho para ser desmembrado. Não é culpa de ninguém, é culpa da construção dos grupos sociais. Você está aí, na sua cadeira, pensando: “porque diabos ela está falando tudo isso?” Vou explicar: acontece que esta semana vi um vídeo que me deixou chocada, quase virei um omelete de queijo tamanho foi meu espanto. Colocaram um homem vestindo casualmente deitado em uma praça, fingindo que estava passando mal. Demorou um tempão para que alguém, um policial bem relutante, lhe desse atenção. Depois, colocaram esse mesmo homem fazendo a mesma coisa, porém vestindo um terno bem cortado. Um batalhão de pessoas parou seu trajeto para ajudar. Espantoso, não é mesmo?

Eu não achei o vídeo no YouTube para incorporar ao texto, então trouxe o link e recomendo que vocês assistam. Não está em português mas, ainda assim, é possível perceber nitidamente como as pessoas agem diante de um homem bem vestido. Não é atoa que a reportagem diz que “a roupa pode salvar sua vida”. O link está aqui.

A roupa pode salvar sua vida.

A roupa pode salvar sua vida.

Não acho certo que as pessoas julguem os outros pela aparência. Já vivi situações onde esses conceitos foram colocados em primeiro plano. Mas tenho plena consciência de que, como disse no começo dessa reflexão, somo seres visuais e as roupas contribuem para nossa posição social. Tanto que, algumas pessoas, torram o salário todo para estarem bem vestidos e poderem participar de determinados grupos sociais. Será que um dia essa podridão perde o majestade? Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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A Escola de Princesas

A cidade de Uberlândia, aqui em Minas Gerais, esse ano ganhou uma escola que provocou comentários polêmicos. Estou falando da Escola de Princesas. Sim, você não leu errado. A cidade agora conta com uma escola que ensina as meninas como serem princesas. Entre as disciplinas temos aulas de etiqueta, culinária, organização e manutenção de uma casa e, claro, noções de como se vestir e se maquiar.

As princesas. (Fonte: divulgação.)

As princesas. (Fonte: divulgação.)

Sabe, vocês que me acompanham já entenderam que gosto bastante de moda e de pensar sobre ela. Gosto de usar maquiagem, de batom vermelho e todas esses frufrus que o mercado oferece. Mas, gente, eu tenho 24 anos! As meninas que estão nessa instituição são crianças, de 4 até quinze anos. Nessa idade alas devem brincar, fazer bagunça, ter experiências que mostram como o mundo funciona.

Os pais que matriculam suas filhas nessa escola correm um sério risco de colocar a saúde psicológica de suas filhas em perigo; elas podem crescer pensando que pregar botões na camisa do marido, organizar chás e fazer um cabelo lindo e maquiagem perfeita são as realizações mais importantes na vida de uma mulher. Além disso, há o risco de essas crianças se convencerem que beleza é estar vestida de acordo com padrões duros, rígidos e difíceis de alcançar que hoje vigoram.

O ambiente da escola. (Fonte: divulgação.)

O ambiente da escola. (Fonte: divulgação.)

A moda está aí para nos dar individualidade, personalidade, conforto. Mas essas lições, as lições verdadeiras que moldam quem somos, o que queremos e onde pretendemos ir, só se aprende vivendo no mundo real, não em uma realidade paralela, como é o caso do mundo apresentado pela Escola de Princesas. Se um dia eu tiver uma menina, ela vai gostar de moda, mas vai saber usar esses artifícios para ser única. Gente, esse mundo é mesmo muito maluco. Damos um passo para frente, com a emancipação da mulher, e dois para trás, com esse tipo de instituição. Imagina se virar moda?? Melhor nem pensar…

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Analisando dados

Pode até parecer chato, mas para entender como funcionando esse magnifico mundinho fashion, é importante analisar alguns dados. Então vamos lá: recentemente foi divulgada uma pesquisa do instituto Data Popular dando conta de que, em dez anos, o brasileiro aumentou seus gatos com roupas, sapatos e acessórios em cerca de 60%, o que gera um ganho de 133 bilhões de reais para a indústria da moda.

O estudo ainda aponta que o queridinho das mulheres na hora de arrematar sacolas são os sapatos, que tiveram aumenta de ventas em torno de 57% de 2003 até aqui. As brasileiras têm, em média, 16 pares dentro do armário. Mas, minha gente, conheço garotas, e garotos, que tem muito mais. A maioria dessas compras é feita em shoppings, que se multiplicam ferozmente hoje em dia, só prestar atenção.

O amor pelo shopping.

O amor pelo shopping.

Os especialistas dizem que a causa desse aumento no consumo da população se deve ao crescimento da renda das famílias. Já no caso de nós, mulheres, a maioria compra mais porque agora está no mercado de trabalho então precisa “investir” em sua imagem pessoal para provocar reconhecimento profissional dentro desse mercado.

Depois desse blábláblá, o que aprendemos hoje? Simples: a moda é uma indústria provocadora de desejos e estimuladora de sonhos que movimenta a economia em todos os cantos do mundo. Além disso, quando uma pessoa está de bem com a vida, com o lado profissional estabilizado, por exemplo, mais ela quer se fazer bonita para si própria e para o mundo.

Comprar roupas, por quê comprar?

Comprar roupas, por quê comprar?

E então, ainda pensa que analisar dados não faz parte do mundo da moda?

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Se meus óculos falassem…

Já te disseram que as coisas que usamos dizem muito sobre quem somos, não é verdade? Pois bem, o designer Federico Mauro levou isso ao pé da letra, retratando óculos de personalidades famosas. Adorei a ideia, já que também jogo no time dos quatroolhos usando armações pretinhas. Vê se as imagens batem com as personalidades.

Elvis Presley

Elvis Presley

Audrey Hepburn

Audrey Hepburn

Harry Potter

Harry Potter

John Lennon

John Lennon

Shopia Loren

Shopia Loren

 

Woody Allen

Woody Allen

E se você precisa de óculos, mas não gosta de usar, dica: o incômodo pode virar estilo, menina!

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Poses

Mulheres em poses escalafobéticas usando vestidos que custam quase nosso salário integral. Muito bem maquiadas, muito bem colocadas e algumas muito bem retocadas pelo PhotoShop. Olhares não muito expressivos e bocas algumas vezes semiabertas. Tudo natural.

Só que não. Em uma análise bem fria e unilateral é assim que os editoriais de moda podem ser interpretados; fora da realidade de muitas de nós, que acordam às seis e trinta da manhã para trabalhar todos os dias da semana. Percebendo isso, a artista espanhola Yolanda Domínguez produziu o curta “Poses”.

A ideia é colocar mulheres reais fazendo poses que vemos em editoriais de moda. O engraçado é que as pessoas acham as atrizes malucas. Param para ver se estão passando mal ou se são apenas loucas perdidas no meio da rua. Acompanhe:

As pessoas olham espantadas, algumas param. Acredito que outras poucas chegam a ficar com medo. Compreensível. Eu me espantaria se esbarrasse com pessoas paradas no meio da rua, de braços esticados e boca meioaberta.

Cena de "Poses". O lixeiro cutucando, literalmente, a modelo. Curtiu?

Cena de “Poses”. O lixeiro cutucando, literalmente, a modelo. Curtiu?

Mas é interessante que os editoriais sejam analisada por outro prisma. As modelos que se apresentam quase sem expressão, em posições impraticáveis no dia a dia, estão ali para tentar deixar o produto exposto atraente e bonito. Porque são cabides.

É meio cruel falar assim, mas se formos pensar friamente as mulheres das revistas são meras vendedoras de luxo.  Por isso tanto retoque, maquiagem, luz e belos cenários.  Em minha opinião de leiga e curiosa, o que interessa é resaltar as roupas.

Isso não quer dizer que essas mulheres devem ser ignoradas. Veja o caso da top Gilese Bündchen ou da inesquecível Naomi Cumpbell. Essas fazem parte do time de poucas que conseguem dar personalidade para a roupa que carregam. Acho fantástico, mas raro.

Não adianta arrancar os cabelos se você não é com as mulheres das revistas de moda porque elas não existem de verdade. São meros recortes de uma realidade que precisa ser melhorada para produzir desejo. Elas não têm dias de cão no trabalho, não pegam conduções lotadas, nada disso. Só existem dentro de revistas. Nós – eu, você, sua mãe, sua cunhada, sua irmã -, existimos no mundo, é muito mais divertido. Não há limite para nossas poses. 😎

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