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SPFW aí vou eu!

Sabe, minha gente, eu tenho alguns sonhos na vida: conhecer Londres, arrumar um namorado bacana, ir ao São Paulo Fashion Week, andar de helicóptero… Sim, uma das vontades que tenho nessa vidinha incerta é caminhar divando nos corredores da semana de moda mais importante da América Latina. Isso desde que comecei a mexer com moda, na verdade.

Daí que amanhã vou realizar esse sonho. Consegui, através de uma grande amiga, um convite para o desfile da marca mineira Apartamento 03. Estou animadíssima mesmo sabendo que vou enfrentar oito horas de viagem até a terra da garoa em um busão porque as passagens de avião estavam caras.

Mas, sabem, para mim esse passeio tem um gostinho de vitória muito especial. Pode parecer bobagem, mas vocês já vão entender: acontece que para uma observadora das modas como eu, que possuí algumas deficiências e limitações, se inserir nesse mundo onde existe a obrigação do perfeito é muito difícil.

Primeiro porque muita gente não acredita em você, no seu trabalho e possibilidades, e segundo porque, como não está nesse padrão surreal de beleza, existe uma dificuldade muito grande de imersão. É como se você tivesse que provar a todo tempo que é bom e que serve sim para habitar o mundinho fashion.

Essa faceta da moda é bem cruel, mas super palpável para que os que se dão ao trabalho de arreganhar os olhos, ou seja, poucos mortais. Por isso hoje, mesmo percebendo que a semanas de moda estão virando um espetáculo de selfies vazias e um circo onde se dá bem quem aparece mais, fico muito feliz de ter teimado o suficiente para conseguir estar lá amanhã. É como se fosse uma conquista, sabe assim?

Então, por favor, bora torcer para que tudo dê certo na sexta-feira, para que eu consiga chegar direitinho em São Paulo, para que minha roupa/look do dia não amarrote dentro da mochila, para que eu não me perca ruma ao local dos desfiles. A vida, minha gente, é feita de pequenas conquistas que um dia vão acabar em algo grandioso. E, se existe 1% de chance de concretizar um sonho é a essa probabilidade mágica que eu me agarro. E vamos logo colocar a armadura de jornalista de moda poderosa porque a vida é linda demais!

E lá vou eu!

E lá vou eu!

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Pensando sobre as semanas de moda

Não, este não é um post sobre tendências desfiladas na semana de moda de Nova York ou Londres. Não me interessa falar sobre o militarismo (de novo?!), o xadrez que imita toalha de pique nique ou a mania do make “cara lavada”. Essas coisas você encontra em vários portais de moda e beleza. Aqui temos apenas uma reflexão sem compromisso sobre o futuro dessas amadas e idolatradas semanas de moda que percorrem todo o mundo, incluindo o Brasil.

Sabem, eu honestamente acho que todos esses eventos vão acabar. Agora é o momento em que você faz uma pausa dramática… Mas, falo muito sério. E não estou dizendo que todas vão terminar daqui uns 50 anos, tipo, na época em que minhas netas vão começar a entender moda e estourar seus cartões de crédito. Acho de verdade que vão acabar em breve mesmo, antes que possamos imaginar. Tenho lido matérias com bons sinais para esse meu palpite

Vejam só: algumas pessoas importantes já disseram que as semanas de moda, lá no princípio imaginadas para mostrar aos compradores e à imprensa as principais tendências do mercado, agora são apenas shows onde o mais bonito tenta aparecer loucamente. Como, mais bonitos, podemos entender as blogueiras das modas, atrizes e semicelebridades de todas as espécies. O objetivo inicial de promover as empresas acabou ficando em segundo plano.

Outro fator importante que preciso comentar é o crescimento abundante da internet e redes sociais. Saibam vocês que muitos compradores influentes não vão mais aos desfiles e assistem tudo bem longe da muvuca que é uma sala de espetáculo. É pela rede que assistem, decidem e compram. Temos exemplos de grifes que se firmaram assim, vide o case Patrícia Bonaldi e sua PatBo. Além disso, as marcas não precisam tanto da divulgação já que possuem Instagrans, Facebook, Twitter…

Na verdade, acho que as marcas ainda curtem gastar muitos dólares em um espetáculo como esse porque eles, apesar de toda a divulgação obtida na internet que já disse no texto, dão ibope. A imprensa especializada cai feito abelha no mel em cima de um bom desfile. Daí comentam, comentam, comentam… E tudo mundo fica sabendo. É mais barato que uma série de ações de marketing combinadas, juro procês.

Caso duvide de minhas informações desencontradas, vai aí um fato concreto: hoje vi que João Paul Gaultier não fará mais peças em read-to-wear, se dedicando exclusivamente à Alta-Costura. Como justificativa, o estilista disse que é muito rápida a velocidade de produção desse tipo de roupa, o que inviabiliza a criação. Desse modo, não veremos com tanta freqüência criações de Gaultier nas passarelas. Além disso, existe aí um movimento chamado slow fashion, que tenta diminuir a velocidade enlouquecida que o mundinho fashion adotou para a vida. Se isso acontecer mesmo, vai faltar notícia para tanta semana de moda.

Mas, esse é um daqueles casos em que precisamos esperar para ver se minha aposta se concretizará ou se sou louca mesmo por pensar que as semanas de moda vão acabar. Pois é, então, é tempo de aguardar as cenas dos próximos capítulos.

O militarismo sexy/enfrente a selva urbana de Marc Jacobs em NY City!

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Apenas um, de verdade, pra você

A moda do personalizado é mesmo uma beleza, né? Principalmente onde o reino do fast fashion, com 2.387 peças igualmente idênticas impera sem qualquer perigo. Agora todo mundo pode ter uma única camiseta, um único corte de cabelo, uma única roupa inteira. Mas, existem marcas que se superam na arte do “personalizado”. Esse, sem dúvida, é o caso da Pink Bullets e seus tênis pintados à mão.

Pela bagatela de 199 reais você pode ter aos seus pés o pessoal do Glee, o Pequeno Príncipe, a Nicki Minaj… Tudo ao gosto do freguês. O mais legal disso tudo é que, como o trabalho é feio á mão, não tem como você topar na rua com um camarada usando o mesmo exemplar que o seu.

Amélie!

Amélie!

Coraline.

Coraline.

Mafalda

Mafalda.

O pequeno príncipe!

O Pequeno Príncipe.

the beatles

The Beatles.

Se você ficou com vontade de te rum para chamar de seu, é simples. Você pode encomendar direto com os caras pelo e-mail euqueroumpinkbullets@gmail.com, ou então encomendar pelo Enjoei. Ah, deixa eu dizer: isso aqui não é um post publicitário. Até porque, né, eu não sou assim tão importante para que me “comprem um texto”. Só estou falando porque gostei da proposta mesmo. 😉

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Moda reciclada

Para me aprimorar, estou lendo o livro Princípios de gestão de negócios de moda, de Susan Dillon. Dentro da publicação, ricamente ilustrada e com muita informação sobre business of fashion, encontrei uma entrevista com o estilista Gary Harvey que, durante dez anos, foi diretor criativo da marca de jeanswear Levi´s. Na conversa, ele falava sobre moda e sustentabilidade.

Aí, bateu amor pelo trabalho do cara, né minha gente? Não sei se vocês sabem, mas sou totalmente a favor de uma produção de moda mais responsável e sustentável. No livro, vi que o britânico Harvey não coloca a produção ecologicamente como prioridade em suas empresas mas, sim, como uma forma de mostrar que é possível mudar o jeito de fazer se não, em pouco tempo, não teremos como produzir mais nada…

Entre os trabalhos do designer, vou destacar um vestido feito com 30 edições do jornal econômico mais importante do mundo: o britânico Financial Times. Isso leva a expressão “do luxo ao lixo” para um patamar nunca antes pensado. Além do mais, quer paradoxo melhor que ver um vestido produzido com páginas e mais páginas de um jornal que, durante muito tempo, primou pela análise de um mundo que produz sem pensar um minuto sobre de onde vem todo esse material que se transforma  era a regra. Achei um máximo.

Vestido feiro com jornais sustentado por um corpete.

Vestido feiro com jornais sustentado por um corpete.

Trouxe para vocês verem um vídeo onde um desfile com um vestido verde todo confeccionado por Gary Harvey com embalagens plásticas de comida é mostrado. Legal, né? Durante a pesquisa, li também que as criações do estilista já estiveram até no tapete vermelho do Oscar. Coisa fina, né?

Reciclagem é tendência!

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O casaquinho preto: moderno e antigo que agradam

Queridos, vocês sabem que amo a cor preta e admiro as criações da casa Chanel, certo? Pois bem, então quando chega ao Brasil uma exposição que celebra a jaquetinha de tweed negro idealizada por Coco Chanel em 1945, posso eu ficar quieta e não dar minha humilde opinião? Claro que não!

chanel um

Falo da exposição The Little Black Jacket, com de fotografias do mil e uma utilidades – “kaiser da moda” nas horas vagas – Karl Lagerfeld, que registrou famosos de diversas partes, em inúmeras poses, usando a célebre ideia de mademoiselle Chanel. A mostra, que se originou de um livro, já passou por diversas cidades importantes no circuito mundial e São Paulo é a penúltima parada.

chanel dois

É impressionante a capacidade do diretor criativo Karl de reinventar coisas que, se analisarmos friamente, já estão batidas há muito tempo. Quando você pensa que Chanel caiu na mesmice vem ele e PÁ, faz o milagre de transformar água em vinho. E com o caso do casaqueto preto não é diferente; o objetivo aqui é mostrar que, apesar de ter mais de 50 anos, a peça é versátil e ficará ótima com seu vestido de festa, ou seu jeans milimetricamente surrado.

chanel tres

Claro, se você pagar 10 mil reais por um exemplar, mas essa discussão não cabe agora. O que preciso compartilhar com vocês é meu deslumbramento com a capacidade de reinventar, produzindo desejo e conquistando legiões de fãs que se quer sabem quem foi Gabrielle Chanel que a moda e seus dirigentes tem o poder de organizar. Uma ideia simples, que produz efeito.

chanel quatro

Então, se você estiver de bobeira na terra da garoa, vai lá ver a exposição The Little Black Jacket. Uma aula de história da moda, de marketing, de fotografia. Enfim, de tudo que faz a gente pensar sobre esse lindo monstro que é a moda.

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Falando “não” para a China

Na última semana ocorreu em São Paulo um protesto de várias entidades que representam a indústria da moda brasileira. Intitulado como “Grito de Alerta”, a atitude teve o objetivo de dizer a todos que a moda precisa de ajuda para se manter em pé no Brasil.

Se você não ficou sabendo, o protesto aconteceu em frente á feira que reunia empresários chineses na capital paulista, centro empresarial nacional, que pretendem fazer negócios aqui na terrinha. Relações que incluem comércio de roupas acabadas, calçados e tecidos primários.

Segundo dados do IBGE, desde janeiro o setor já demitiu 55 mil trabalhadores. Além disso, empresas conceituadas no setor têxtil estão fechando, seguidas de perto por confecções. Para você ter uma ideia, vi que um macacão de bebê brasileiro custa 75 reais, enquanto um chinês pode ser adquirido por 55 reais.

Antigamente existia o estigma de que essas roupas eram de péssima qualidade. Mas hoje a informação não procede. Você compra feliz e contente uma roupa chinesa de bom corte e tecido satisfatório. Não digo para você parar de comprar roupas “made in china” porque nem todo mundo pode pagar mais caro pelo luxo de um vestido novo.

Mas acho que cabe ao governo dar mais atenção para o setor. Não adianta só zerar os impostos com a folha de pagamento dos funcionários dessas fábricas, é preciso mais. A China é mesmo um dragão nos negócios, portanto não adianta querer ser bonzinho. Precisamos proteger nossa indústria.

Se nada concreto e relevante for feito, não adianta a iniciativa de preparar eventos de moda, organizar desfiles, formar designers e, seja lá o que for. Tudo vai escoar pelo ralo. Parabéns aos organizadores do protesto por terem se posicionado dentro desse cenário.

Vestidos de chinesas protestando contra a China.

Vestidos de chinesas protestando contra a China.

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O lugar onde o glamour nasce

É mais ou menos assim.

É mais ou menos assim.

Esta semana estou no olho do furacão: cobrindo o Minas Trend para o Fashionistando. É cansativo, mas super divertido. Andando entre os stands fiquei pensando que todo mundo, incluindo os blogs de moda, mundo ao qual este bloguito também pertence, pensa apenas no glamour. A celebridade, a tendência, a it qualquer coisa. Mas, acredite leitor, toda essa purpurina expira sem os negócios.

Pensando nisso, resolvi contar um pouco de como esse salão funciona dentro do Minas Trend. Segundo dados dos organizadores, são cerca de 200 expositores que trazem roupas, sapatos e bijuterias de todos os lugares do Brasil para serem vendidas à atacadistas que, também, vem de todos os lugares desse país gigante.

As relações de negócios são assim: os atacadistas, que compram as grifes para revender em suas lojas, vão aos stands das marcas que melhor atendem ao seu público e fazem os pedidos, que só serão produzidos após o término da semana de moda mineira. A grande maioria das marcas só trabalha assim, com pedidos. Não produzem, assim, por produzir. Só por demanda.

A especialidade aqui de Minas Gerais é a moda festa, com muito bordado, tecidos finos, coisas para fazer quem pode, porque não é barato, entrar dentro do vestido e sair por aí divando nas festas mais badaladas. Mas isso tudo é negócio, então existe pesquisa de produtos, de tendências, de fornecedores. Não pense que moda é viagem, existe uma pesquisa firme por trás.

Então, é isso. O post de hoje não tem o brilho, mas tem a informação. Semana que vem pretendo trazer mais coisas para vocês, mas por hora está impossível. Esses eventos levam tudo que temos, deixam só o pó e o cabelo. Ah, o tema da 13º edição do Minas Trend Outono/Inverno 2014 é Parceria e Mercado. Justo, já que não se cresce sozinho e a venda é uma atividade compartilhada.

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