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A moda e suas perversidades

Eu poderia estar falando da semana de moda de Nova York? Poderia. Poderia estar falando sobre o aniversário do miguxo Karl Lagerfeld? Sim. Mas, como minha cabeça é maluca e este blog não é sobre moda, posso me reservar o direito de comentar sobre o que quiser, seguindo minha própria agenda mental tresloucada.

Seguinte: dia desses estive em uma favela aqui de BH. O motivo? Bom, fiquem com a explicação de que sou jornalista e por isso ando bastante. Ótima explicação e ponto. Não tinha drogas ou álcool envolvido no acontecimento, juro pela alma da Nina, minha gata preta. Aí, nessa favela, ou comunidade, ou aglomerado, ou tudo junto ao mesmo tempo, fiquei observando as condições de vida dos moradores.

Gente honesta e simples que não tem luz direito, uma casa decente, saneamento básico, facilidade de locomoção… Achei o cenário sofrido e alegre e tive um nojinho básico das pessoas que nos governam. Mas, enquanto tirava essas conclusões, chutei – literalmente – uma sacola da marca Ellus, que estava jogada fora junto a uma pilha de lixo. A observadora do mundinho fashion não agüentou e teve que parar para averiguar a cena.

Tratava-se realmente de uma sacola ainda em bom estado desta famosa grife brasileira.

Quanto a luz se fez na minha cabeça, pensei em milhões de coisas: me lembrei do depoimento de uma dona de casa que dizia não conseguir pagar os gastos com roupas da filha porque ela só usava “coisa de marca”. Lembrei da moça do Youtube que disse não conseguir se sustentar com o auxílio do Bolsa Família porque “uma calça para uma jovem de 16 anos é mais de 300 reais”.

Lembrei de uma matéria que li no Estado de São Paulo cujo tema eram as brasileiras que adoravam parecer ricas para pertencer a um universo que lhes permitisse ascensão social e boa posição. Me lembrei, também, que, aqui no Brasil, marcas de luxo parcelam as compras, fato que – nunca, jamais! – acontece em outras nações.

A sacola da Ellus no meio da favela me fez ver o quanto as pessoas se sacrificam para estarem “na moda” e o quanto a indústria é cruel por incentivar essas práticas e lucrar com o afundamento financeiro alheio.

Sabem, eu amo moda, de verdade. São infinitos os benefícios que gostar de moda trouxeram para minha vida: consegui me descobrir como mulher, entender meu corpo, saber mais sobre minha personalidade, aprendi economia estudando moda. Mas, de modo algum, permito que esse gosto seja maior que eu mesma. E acho que é isso que acontece com as amigas que gastam todo o salário com pilhas e pilhas de roupas.

Para elas, se quiserem ouvir, digo o seguinte: goste de moda, sim. Mas, viva. Viaje, saia com as amigas, veja coisas e pessoas. Cresça e aprenda. Tentar entrar em uma tribo usando como ingresso as roupas que você veste não faz de ninguém um ser querido. Faz dessa pessoa, caso não tenha condições de bancar o estilo de vida, apenas mais um alguém que deve até as calças. Você, garota esperta e inteligente, quer isso? Eu não.

Ah, antes de ir: cês tão cansadas de assuntos sérios e cabeçudos, né? Vou já arrumar uns looks meus do dia para vocês se animarem a passar mais tempo aqui!

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Parabéns para Chanel

Gennnnnnte, a Coco Chanel fez aniversário nessa semana e eu, aqui, caladinha? Não posso, afinal, isso é um absurdo! Mademoiselle fez bodas de 131 anos na terça-feira, dia 19 de agosto, e não pintei por aqui para comentar antes porque estou vivendo os loucos embalos do jornalismo de TV, por isso a ausência. Comecei em um emprego novo, se você está aqui há um tempinho grande já sabe. Tenha paciência comigo, please! Mas, não tem como pensar o mundinho fashion sem pensar o legado dessa mulher que é, tipo, ídolo da vida.

Li algumas matérias que listavam a importância de Coco Chanel para o universo da moda, do ponto de vista criativo e empresarial. Nas diversas listas sempre estavam as pérolas, que aparecem em quase todas as fotos da criadora. Também o tweed, material não muito nobre que foi finamente trabalhado por Coco. Outra cosia que é importante falar é a revolução na perfumaria alavancada pelo Chanel nº5, a primeira fragrância que incorporou em sua fórmula o aldeído, ativo que faz a fragrância “grudar” na pele. Depois desse lançamento, nada mais foi o mesmo no universo dos cheirinhos agradáveis.

Tem também a icônica bolsa 2.55 com matelassê e correntes douradas – o primeiro item que vou comprar quando ficar ryca e phyna! -, disponível em vários tamanhos e ótima para quase todas as garotas. O estilo navy, que se traduz pelas famosas blusas listradinhas combinadas com calças sequinhas. Destaque também para o corte Chanel. Quer coisa mais chique que entrar para a história com um corte batizado com seu nome? Acho fino demais da conta.

Ok, tudo isso que eu disse é realmente importante por serem coisas que antes não tinham sido pensadas por ninguém no mundo. Nesses pontos, Chanel foi mesmo empreendedora e tudo mais e merece uma salva de palmas. Contudo, porém, todavia, na minha opinião, Coco Chanel hoje é essa coca-cola toda porque deu liberdade para mulher de se vestir de uma maneira mais limpa e prática. Como eu falei no começo do post, ela comemorou essa semana 131 anos. Portanto, quando nasceu, no final do século XIX, as mulheres não trabalhavam, então podiam usar roupas com vários brocados, de comprimento longo e salpicadas por rendas delicadíssimas.

Como vocês podem notar, essas roupas não são nada práticas para o mundo do trabalho e, depois da Primeira Guerra Mundial, cujo início foi no comecinho do século passado, foi esse o lugar que as mulheres começaram a ocupar no mundo, já que os homens da Europa estavam muito ocupados matando uns aos outros e tudo mais. Ta aí a grande sacada de Chanel: dar ao mercado o quê ele precisava naquele momento: roupas práticas, elegantes, que não deixavam a mulher desarrumada mais promoviam maior mobilidade para os diversos compromissos do dia. Essa revolução é tão séria que refletiu também uma mudança de comportamento das meninas, que começaram a ser mais independentes produzindo suas próprias opiniões.

Algumas pessoas menos informadas acham que não, mas muita coisa que acontece no mundo da moda reflete diretamente na sociedade e vice e versa. Muita ciosa que se cria nos ateliês de costura são para responder aos anseios das pessoas que apresentam novos hábitos e posturas. Nós somos reflexo direto das coisas que escolhemos vestir porque nossa casaca externa nossos pensamentos, sentimentos e convicções e Chanel captou rapidinho essa potencialidade do mundinho fashion, por isso seu legado continua fresco na cabeça dos mais atentos. Então, depois de tanto blábláblá, só me resta parabenizar Mademoiselle Coco Chanel por sue talento nato e sua esperteza ímpar!

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Moda reciclada

Para me aprimorar, estou lendo o livro Princípios de gestão de negócios de moda, de Susan Dillon. Dentro da publicação, ricamente ilustrada e com muita informação sobre business of fashion, encontrei uma entrevista com o estilista Gary Harvey que, durante dez anos, foi diretor criativo da marca de jeanswear Levi´s. Na conversa, ele falava sobre moda e sustentabilidade.

Aí, bateu amor pelo trabalho do cara, né minha gente? Não sei se vocês sabem, mas sou totalmente a favor de uma produção de moda mais responsável e sustentável. No livro, vi que o britânico Harvey não coloca a produção ecologicamente como prioridade em suas empresas mas, sim, como uma forma de mostrar que é possível mudar o jeito de fazer se não, em pouco tempo, não teremos como produzir mais nada…

Entre os trabalhos do designer, vou destacar um vestido feito com 30 edições do jornal econômico mais importante do mundo: o britânico Financial Times. Isso leva a expressão “do luxo ao lixo” para um patamar nunca antes pensado. Além do mais, quer paradoxo melhor que ver um vestido produzido com páginas e mais páginas de um jornal que, durante muito tempo, primou pela análise de um mundo que produz sem pensar um minuto sobre de onde vem todo esse material que se transforma  era a regra. Achei um máximo.

Vestido feiro com jornais sustentado por um corpete.

Vestido feiro com jornais sustentado por um corpete.

Trouxe para vocês verem um vídeo onde um desfile com um vestido verde todo confeccionado por Gary Harvey com embalagens plásticas de comida é mostrado. Legal, né? Durante a pesquisa, li também que as criações do estilista já estiveram até no tapete vermelho do Oscar. Coisa fina, né?

Reciclagem é tendência!

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O retorno em doses homeopáticas

Olá pessoal, como estão? Pois é, dei uma sumida necessária, como puderam ver nesse post. Foi necessário, em breve trarei boas notícias.

Enquanto isso, escrevi uma análise sobre o desfile/supermercado da Chanel. Enquanto o retorno do Não É Sobre Moda não acontece, vou trazer textos e análises sem muita regularidade ou pretensão, para não perdermos o contato, ok?

Um beijo da ruiva de farmácia e até breve!

 

Paris Fashion Week: Chanel apresenta sua coleção em um verdadeiro supermercado de estilos

 

Para este artigo, juro solenemente que tentei fugir da expressão “supermercado de estilos”, usada por diversos jornalistas do mundinho fashion para definir o desfile da Chanel durante a Paris Fashion Week, temporada de Inverno 2015. Mas, pensando bem, não tenho como escapar do clichê. Não vejo forma melhor de introduzir o fashion show de Karl Lagerfeld que a expressão criada pelo historiador Ted Polhemus na década de 1990.

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Mas, devo, ao menos, me dar ao trabalho de tentar explicar, ainda que de maneira sucinta, a ideia central do “Supermercado de Estilos”, teoria de Polhemus; para o pesquisador, em 1990 vivíamos uma síntese de todos os estilos que já caminharam sobre a terra. Em palavras do próprio historiador, no quesito vestuário era “como se todos os períodos existentes aparecessem como latas de sopa numa gôndola de supermercado”, para nosso livre prazer de consumo e democrática escolha fashion.

Não sei se Karl Lagerfeld, o diretor criativo da marca francesa que já conta quase um século de existência no mercado de luxo da moda, se inspirou nessa teoria quando montou sua coleção para o Inverno de 2015. Digo apenas que o veterano da moda foi ousado o suficiente para levar suas modelos e criações até uma passarela transformada em centro de compras, semelhante ao supermercado que fica perto de sua casa, onde você compra pães e verduras todos os dias após o trabalho.

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Por falar em compras após o expediente, esse hábito dos parisienses foi inspirador durante o processo criativo da Chanel; a ideia é convencer os espectadores e fashionistas de que é possível levar essa sofisticação para a vida cotidiana das mulheres. Entre os corredores, o público conseguiu ver casacos oversized, brilhos, calças de lurex, estampas e texturas alegres e inesperadas, modelagens que misturavam as décadas de 1980, 1990 e 2000. Muito tweed, – até nos óculos escuros! – e tênis deslumbrantes. Um verdadeiro street style de luxo, bandeira já levantada pela marca esse ano durante a Semana de Alta Costura, que abre em Paris o calendário global da moda.

Apesar de tantas jogadas super interessantes de marketing e de um senso aguçado de realidade e panoramas sociais, alguns ícones da marca estiveram presentes no supermercado, digo, na passarela. O observador atento conseguiu identificar, além do tweed, referências aos conjuntos de Coco Chanel, que já citei neste artigo. Também ficou perceptível as pitadas de cortes retos, botões de camélias, pérolas brancas e cestas de compras grudadas às alças em formato de correntes douradas intrelaçadas com fios de couro, uma alusão precisa à famosa bolsa 2.55, sempre clássica e moderna.

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Chanel é uma marca que sabe se apropriar dos novos signos da contemporaneidade, como a moda de rua e a esportividade, para construir identidades diferentes e frescas, arrebanhando seguidoras em faixas etárias jovens, renovando sempre sua cartela de clientes para nunca envelhecer. Parar de impor seu estilo, se adequando às vontades do século XXI, talvez seja o segredo de sucesso da grife francesa. Além do mais, Karl Lagerfeld é, realmente, um patrimônio imaterial do mundinho fashion; uma esponja constante e ininterrupta de referências. A fórmula do sucesso não tem como ser mais perfeita.

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Cenário, pano de fundo para o show

Sabe uma das coisas que me chamaram bastante atenção assim que pus meus pezinhos 33 no Minas Trend? A cenografia. O tema da 13º edição do evento foi “Parceria e Negócios”. Achei que o cenário não acompanhou a ideia, mas, ainda assim, estava tudo muito bonito. Assim que a pessoa entrava no Expominas, dava de cara com uma instalação lotada de guarda-chuva. Não sei se 0s organizadores sabiam que ia chover horrores em Belo Horizonte, mas acabou que a ideia foi super propícia, já que o mundo caiu nesses dias. Entre os milhares de guarda-chuvas, vestidos leves, rendados, emergiam do cenário. Achei delicado.

Guarda-chuvas.

Guarda-chuvas.

Os vestidos entre os objetos.

Os vestidos entre os objetos.

Já dentro da feira, os looks do desfile de abertura, um coletivo com várias marcas que apresentaram o melhore de suas coleções Outono/Inverno 2014, estava exposto em manequins claros. Um contraste em meio á profusão de preto. Mina gente, como o povo apostou em preto para esse temporada, nossa mãe! Mas era um pretinho diferente, nada básico. Tinha moderno, romântico, brilhante, minimalista. Enfim, diversas ideias. Entre os looks, rodas de bicicleta davam modernidade para o espaço.

Rodas de bicicleta.

Rodas de bicicleta.

Pretinho nada básico!

Pretinho nada básico!

No fim, percebi que as soluções em cenário eram bastante simples, mas extremamente agradáveis aos olhos.

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Fotografando por aí

É fato que escrevo muito melhor que tiro fotos – ao menos eu acho – mas de vez em quando gosto de sair por aí, tirando fotos. Um dia quero, muito, fazer um curso bacana dessa arte para aprender a mexer melhor em minha câmera. Por enquanto, me preocupo em capturar imagens legais. Hoje trouxe para vocês umas fotos que fiz na Feira Hippie de Belo Horizonte, ponto turístico e lugar de achar muita coisa bacana. Lá não importa se você é hippie ou it girl. Espero que gostem!

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Babado, confusão e photoshp

Ah meu povo, se eu ganhasse dez reais por cada vez que falo sobre o fantástico mundo do Photoshp, acho que já estaria andando de helicóptero ao invés de circular de ônibus… Mas, enquanto a merecida remuneração não vem, sigo aqui comentando os absurdos protagonizados por esse editor de fotos.

A bola da vez está com Preta Gil, que assinou mais uma coleção de roupas plus size para a C&A. A campanha foi lançada semana passada nas redes sociais da cantora e da loja e, imediatamente, provocou grande rebuliço. Acontece que Preta não se parece, digamos, ela mesma na foto. Veja uma comparação.

Duas versões da mesma mulher. (Aplausos para mim, consegui fazer a montagem by myself!)

Duas versões da mesma mulher. (Aplausos para mim, consegui fazer a montagem by myself!)

C&A e Preta juram de pé junto, sem descer do salto, que as fotos não foram retocadas e que trata-se, apenas, de um novo ângulo explorado pelos fotógrafos. Mas a resposta não convenceu. Gente, vocês concordam comigo que a campanha ficou, no mínimo, estranha, não é mesmo?

A cor da cantora está esquisita, as proporções, o pescoço…. Olhando essa comparação que fiz, não parece uma mulher real, está claro como água. Acho que nesses casos é melhor parar de negar o óbvio e assumir que fez coisa errada. Fica mais bonito. E pegaria muito bem para Preta, uma personalidade que admiro. Mas dizem que a coleção continua vendendo muito bem, sinal de que as roupas devem ser melhores que as fotos…

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