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Imitação

Por esses dias ando lendo um livro de moda que está fundindo minha cuca demais da conta. A publicação se chama Moda e Psicanálise, cujo autor é Pascale Navarri. Entre diversas questões tratadas de modo analítico e prático, o livro fala sobre imitação no mundo da moda.

Daí você diz: “a, mas eu já sei que eles imitam bastante no universo fashion, que as marcas copiam umas as outras, que hoje em dia original é raridade, você não precisa me explicar”. Não pequeno gafanhoto, não é desse tipo de imitação que me refiro.

Quero comentar sobre a imitação entre indivíduos. Por exemplo: quando você era criança e achava sua mãe o ser mais elegante e maravilhoso do universo, queria vestir as roupas dela, calçar os sapatos dela, repetir seus gestos… Você agia assim porque admirava aquela pessoa.

Daí, na adolescência, você virou um “rebelde sem causa” e decidiu que imitar sua mãe não era mais um bom negócio. Agora, a onda era querer ser como seu artista favorito, ou como a menina mais popular da escola. Você tentava reproduzir as roupas pretas e os piercings dos roqueiros, por exemplo.

Chegando na idade adulta você entendeu que era viagem querer ser como os populares da escola ou das paradas de sucesso. Começou a querer ser como seus colegas de trabalho ou como seu chefe. Mudou o guarda-roupa do dia a dia e enfiou nele roupas que estão de acordo com sua profissão.

Por que fazemos isso? Simples. Agimos dessa forma para: nos afirmar perante à sociedade, pertencer ao círculo social ao qual estamos inseridos, ou tentando nos inserir desesperadamente, agradar os dominantes presentes mo grupo do qual já fazemos parte para afirmar nossa capacidade de pertencer, etc.

E, como a moda é um veículo de comunicação poderoso, entendemos intuitivamente que se nos travestirmos como os personagens que admiramos ou cobiçamos, esse processo de pertencimento será mais fácil, apresentando resultados interessantes de forma rápida já que, com as roupas certas, imitando as pessoas certas, representaremos quem queremos ser.

O problema de apenas imitar, não colocando pitadas mínimas de personalidade ás escolhas feitas, é que podemos acabar perdendo nossa personalidade virando apenas replicadores de tendências oriundas dos maus variados universos. A pessoa se perde em um buraco de minhoca a parte legal da moda que é proporcionar auto-estima e unicidade.

De certo modo, estamos sendo programados para isso de uma forma que não somos capazes de perceber exceto se pararmos um pouco a correria para prestar atenção nos sinais. Esse mundo de fast fashion, onde 500 mil calças jeans exatamente iguais são lançadas ao mercado semanalmente, trabalha para a imitação pela imitação.

As macro tendências, os “must have”, as listas dos “dez mais” publicadas pela mídia também não ajuda na hora de se libertar desse ciclo vicioso. Elas apenas colaboram para a ideia de que, se não andarmos como as pessoas mais bem sucedidas que conhecemos, não seremos bem sucedidos como elas.

Então, você leu este texto esperando que eu dê a solução para o problema? Pegadinha! Ainda não sei qual solução adotar, inclusive para mim, que, em maior ou menor grau, também já imitei e imito outras pessoas. O que posso aconselhar é que, entre uma troca de roupa e outra, você mantenha seu pensamento crítico em dia.

Ás vezes a moda é tão perversa que te insere em um sistema sem te perguntar se você quer entrar na brincadeira, ou não. Por tanto, fique atento e tente conservar a porção de você que ama usar calça jeans branca com rasteirinha simplesmente porque você se sente bem, não dando a mínia para o que seus ídolos vão dizer.

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Sobre ternos divertidos e ideias antigas

Sabe uma coisa mega interessante que ando observando nesses tempos fashion modernéticos? A liberdade. E ela está aí para todo mundo: preto, branco, baixo, gordo, mulher e homem. Suspeito que as mocinhas feministas vão me odiar após ler esta afirmação mas, GUARDANDO AS DEVIDAS PROPORÇÕES, preciso dizer que os homens não costuam ter muita liberdade na hora de se vestir.

Mas, no passado, era pior. Antigamente, no começo do século vinte pra cá, anos 2000 o traje dos rapazes se resumia a pouca, ou nenhuma, estampa, calça de alfaiataria ou, no máximo, um jenas despojado, camisas de manga longa ou curta, sociais ou comportadas, bermudas para os dias extremamente quentes , ternos pretos para reuniões, smokings para festas refinadas e fim da história. Já nós, mulheres, podemos sair por aí com a roupa que queremos, inclusive as deles, sem dar maiores satisfações nem provocar grandes choques sociais. Se você, mocinha, quiser vestir uma melancia na cabeça o máximo que vai acontecer é te acharem louca. Ainda existem uns tapados que veem mulher de roupa curta e já saem apontando. Mas, thanks God, isso já tá mudando.

Claro, minha gente, que essa nossa liberdade fashion é uma conquista, mas essa pauta ficará pra outro momento. Os homens, quando resolvem inovar demais no closet, tem questionada sua sanidade, orietanção sexual, estilo pessoal, situação financeira, o bom gosto da companheira, o caráter e várias outras coisas que não nos atingem mais tanto assim. Basta usarem algo mais extravagente pra todo mundo ficar passado com a visão. Porém, repito: essa nossa liberdade só vem depois de muita luta. Ok, voltando ao texto, fiquei pensando nesse tema e resolvi compartilhar com vocês porque hoje vi umas fotos de uns looks do Ton Ford para a semana de moda de Londres, verão 2016, e achei babado as ideias.

Tom Ford – Londres – 2016

Tom Ford – Londres – 2016

Mas, seja sincero com você mesmo porque mentir pra si mesmo é a piror mentira: o que você pensaria se visse rapidamente um rapaz esses looks das fotos? Eu me chocaria, depois acharia um luxo! A gente sempre acha que a grama do vizinho é mais verde. Que a vida dos homens é mais fácil em todos os aspectos e blá blá blá mas, pessoal, arrisco-me a dizer que na moda somos muito mais livres que eles. Podemos usar o que quisermos e o mundo tem que respeitar isso e ponto final. Já eles, bem, ainda não conseguem se locomover tão levemente no mundinho fashion. Esse pensamento me traz outro a cabeça: será mesmo que todas as questões comtenporâneas tem apenas um lado? Vamos observar e aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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A grande jornada em busca do estilo

Ei gente, como estão as modas? Ah, por aqui está tudo meio fast fashion, ou seja, meio corrido porém, bem legalzinho, por assim dizer. Então, vim contar para vocês a mais nova ideia que tive entre um devaneio e outro. Chama-se Desafio dos 30 Dias. A proposta é que, durante 30 dias – claaaaaro! – eu preciso postar uma foto com um look meu.

Mas, não estamos falando aqui sobre coisas elaboradas e escalafobéticas, daquelas que se usa quando se quer ir à uma festa ou conseguir um emprego. Não, estou me referindo às produções que monto 5 horas da manhã antes de ir trabalhar. O objetivo é me conhecer melhor, saber como é meu estilo, entender como as cores funcionam em meu tom de pele. Essas coisas todas que nos fazem usar melhor as roupas.

Além disso, nesses 30 dias eu não posso comprar peças novas para meu armário, nada de uma blusinha a mais, uma camisetinha a mais, qualquer coisa a mais. Devo me virar com o acervo que tenho em casa nada e que, convenhamos, não é pequeno. Dessa forma também vou contribuir para que o Papai Noel tenha um saco mais gordinho dessa vez.

Então, juntando o útil, entender meu estilo, ao agradável, economizar algum dinheiro, acho que conseguirei tirar conclusões interessantes sobre meus gostos, minha vida, meu humor… Se você, caro leitor, quiser me acompanhar, pode vir! Vou postar as fotos em minha conta do Instagram, @maryycisa. E a primeira foto já está no ar, foi tirada ontem pela minha digníssima irmã. Outro ponto interessante é que as fotos não terão qualidade maravilhosa, serão apenas retratos das coisas, entendem?

Sejam todos bem-vindos a esta nova aventura nascida da cabeça maluca desta blogueira que não leva jeito pra coisa. E vamos ver como as coisas poderão se desenrolar.

Bjuss people!

A foto de ontem, início do projeto.

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Diferenças

Sim, este será mais um post sobre o São Paulo Fashion Week. Não é todo dia que alguém como eu vai á um festival como esse, então, aguente minha semana nomotemática. Ao menos estamos tendo textos, minha gente, não é um avanço?? Seguinte, hoje escrevo para falar sobre o momento em que me sentei e apenas observei as pessoas fashion de São Paulo.

Impressionante as conclusões que tiramos quando nos calamos e, apenas, olhamos. Não sei se vocês sabem, mas costumo cobrir o Minas Trend, semana de moda mineira que apresenta as tendências para a próxima estação e é acompanhada de um grande – e cansativo! – salão de negócios onde expositores de todo o país tentam vender suas apostas.

Pois bem, as pessoas que passeiam nesse salão, como em todo o evento, são muito diferentes das que vi circulando no SPFW. Chego a dizer que o povo “das modas” mineira é mais piora enquanto que o povo “das modas” paulista é mais moderno e criativo. Aqui, o importante é estar totalmente na tendência. Lá, a tendência também é importante, mas deve ser misturada à pitadas generosas de criatividade e originalidade.

Aqui você corre o risco de ver duas mulheres usando vestidos iguais só porque são da marca mais phyna do momento enquanto que lá você consegue observar looks que julgava serem impossíveis até aquele momento. Aqui em Mimas as pessoas têm um certo medo de ousar enquanto que em São Paulo a pauta do dia é a ousadia, modernidade e criatividade.

Eu não sei se isso acontece porque o São Paulo Fashion Week é para levar ideias ao mercado enquanto que o Minas Trend serve para levar o produto já pronto. Também não sei se isso acontece porque o pessoal de SP recebe mais influência do mundo, enquanto que nos criamos uma hierarquia entre as montanhas. Só sei que a diferença entre os estilos é bem palpável para aqueles dispostos a falar menos e observar mais…

pessoas

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Não se pode nem brincar mais nesse lugar?

É, minha gente… Vivemos a época do “ecologicamente correto”, “eticamente correto”, “politicamente correto”. Então, longe de mim ser contra todo esse movimento que pretende tornar as coisas mais certas e bonitinhas, mas penso que, em alguns casos, as pessoas exageram demais da conta.

Olhem só como é um tantinho viajada a polêmica da semana. Acontece que uma consumidora da marca carioca Reserva, famosa por suas campanhas publicitárias irreverentes e suas camisas com estampas de mosca, postou na rede a foto da etiqueta de uma camisa da grife. Mas, segundo ela, tratava-se de uma etiqueta “machista e sexista”.

Lá, após mostrar as instruções de lavagem e secagem e indicar um site onde o consumidor poderia checar o que significa cada símbolo industrial, estava escrito: “ou dê para sua mãe, ela sabe como fazer isso bem”. A reação dos internautas foi imediata. Muita gente xingando a Reserva, falando horrores. Ou seja, quase ninguém riu da piada.

Mas, eu ri. Achei o caso engraçado porque sei do histórico da marca. Já vi que ela apoio causas importantes e, por todo o lifestyle que prega, é impossível que adote posturas machistas e sexistas sem perder toda a sua clientela. Então, foi apenas uma piada, minha gente!

E do que seria a moda se não fossem as piadas? Um tédio do cão. Então, parem de se irritar atoa, comecem a achar graça nas coisas. Depois, comecem a querer entender moda e todas as estratégias das quais se valem esse mundinho fashion. Afinal de contas, até pra criticar é preciso informação.

Por fim – vejo ao longe pessoas com tochas de fogo vindo em minha direção – é fato que nossas mães lavavam roupas muito melhor que nós, mulheres do século XXI. Afinal de contas, quando foram educadas, tinha tempo para aprendera cuidar de uma casa. Nós, pobres coitadas, estávamos muito ocupadas correndo atrás de emprego, moradia, carteira de motorista, homem…

Então, sorriam mais e passem a notar que o mundo da moda é uma grande piada pronta!

Olha a polêmica aí. Achei desnecessário…

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A Mattel está tentando dominar o mundo

O povo bola estratégias de marketing descaradas achando que não vamos perceber o que está rolando por trás dos holofotes. Ah, sabem de nada, bando de inocentes. Nos não somos bocós! Ou vocês acharam mesmo que a aparição da Barbie em vários cantos do mundinho fashion nessa última temporada de moda era mera, puramente e simples, inspiração dos estilistas cabeçudos? Claro que não! Se está por fora, vou já explicar o babado.

A Moschino, marca divertida que apresenta suas propostas em Milão, mostrou ao público um desfile cujo tema, o único, diga-se de passagem, era a Barbie e seu mundo cor de rosa. Entre bolsas de coração, cases para iPhone em formato de espelho e modelos desfilando de patins, o público pode observar toda a magia inebriante do jeitinho Barbie de ser. Apesar do exagero na referência, o desfile tinha sentido porque está dentro de uma marca conhecida por abordar temas pops como o McDonald´s. Fez sentido para mim, ao menos.

Depois disso, ainda em Milão, Dolce&Gabana também resolveram botar na passarela a boneca mais amada e odiada pelas meninas e mulheres de plantão. Só que, nesse caso, acho que não ornou muito bem com o tema da coleção, já que a boneca pareceu meio perdida entre as garotas espanholas que vimos na passarela carregando referências das touradas e dança espanhola. A Barbie chegou nas mãos das modelos dentro de uma caixa/bolsa. Muito confuso para mim, alguém que não observou o espetáculo das primeiras cadeiras.

Além dessas aparições grandiosas, em 2014 já vimos uma Barbie inspirada em Karl Lagerfeld, com direito a cabelo branco, termo preto e toda a indumentária de kaiser da moda. Também já tivemos coleções-cápsula na Forever21, Wildfox e Lord & Taylor, tudo, claro, inspirado na bonequinha. Mas, não fique triste, a Mattel não deixou o Brasil de fora dessa febre de Barbie. A C&A lançou uma coleção em parceria com a estilista rainha do Instagram Patrícia Bonaldi. Com looks para mães e filhas, a coleção fala sobre a Barbie de um modo mais sutil.

Eu acho que, se é possível se apropriar de algo para conseguir alguma coisa, no caso pegar a moda para ser marqueteira de sua marca, não é pecado. Mas, pode cansar os olhos de quem observa. Uma coleção, ok. Uma edição especial da boneca, ok. Agora, uma profusão interminável de coisas sobre a tal boneca?? Ah não, totalmente desnecessário. Então, Mattel, chega de enfiar Barbie goela abaixo das pessoas. Já entendemos que ela é um ícone fashion. Tem até um Instagram, coisa de pessoa antenada. Para a moda, fica a dica: mais originalidade e menos mercado, please!

Barbie, Barbie, Barbie... Na Moschino.

Barbie, Barbie, Barbie… Na Moschino.

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Pensando sobre as semanas de moda

Não, este não é um post sobre tendências desfiladas na semana de moda de Nova York ou Londres. Não me interessa falar sobre o militarismo (de novo?!), o xadrez que imita toalha de pique nique ou a mania do make “cara lavada”. Essas coisas você encontra em vários portais de moda e beleza. Aqui temos apenas uma reflexão sem compromisso sobre o futuro dessas amadas e idolatradas semanas de moda que percorrem todo o mundo, incluindo o Brasil.

Sabem, eu honestamente acho que todos esses eventos vão acabar. Agora é o momento em que você faz uma pausa dramática… Mas, falo muito sério. E não estou dizendo que todas vão terminar daqui uns 50 anos, tipo, na época em que minhas netas vão começar a entender moda e estourar seus cartões de crédito. Acho de verdade que vão acabar em breve mesmo, antes que possamos imaginar. Tenho lido matérias com bons sinais para esse meu palpite

Vejam só: algumas pessoas importantes já disseram que as semanas de moda, lá no princípio imaginadas para mostrar aos compradores e à imprensa as principais tendências do mercado, agora são apenas shows onde o mais bonito tenta aparecer loucamente. Como, mais bonitos, podemos entender as blogueiras das modas, atrizes e semicelebridades de todas as espécies. O objetivo inicial de promover as empresas acabou ficando em segundo plano.

Outro fator importante que preciso comentar é o crescimento abundante da internet e redes sociais. Saibam vocês que muitos compradores influentes não vão mais aos desfiles e assistem tudo bem longe da muvuca que é uma sala de espetáculo. É pela rede que assistem, decidem e compram. Temos exemplos de grifes que se firmaram assim, vide o case Patrícia Bonaldi e sua PatBo. Além disso, as marcas não precisam tanto da divulgação já que possuem Instagrans, Facebook, Twitter…

Na verdade, acho que as marcas ainda curtem gastar muitos dólares em um espetáculo como esse porque eles, apesar de toda a divulgação obtida na internet que já disse no texto, dão ibope. A imprensa especializada cai feito abelha no mel em cima de um bom desfile. Daí comentam, comentam, comentam… E tudo mundo fica sabendo. É mais barato que uma série de ações de marketing combinadas, juro procês.

Caso duvide de minhas informações desencontradas, vai aí um fato concreto: hoje vi que João Paul Gaultier não fará mais peças em read-to-wear, se dedicando exclusivamente à Alta-Costura. Como justificativa, o estilista disse que é muito rápida a velocidade de produção desse tipo de roupa, o que inviabiliza a criação. Desse modo, não veremos com tanta freqüência criações de Gaultier nas passarelas. Além disso, existe aí um movimento chamado slow fashion, que tenta diminuir a velocidade enlouquecida que o mundinho fashion adotou para a vida. Se isso acontecer mesmo, vai faltar notícia para tanta semana de moda.

Mas, esse é um daqueles casos em que precisamos esperar para ver se minha aposta se concretizará ou se sou louca mesmo por pensar que as semanas de moda vão acabar. Pois é, então, é tempo de aguardar as cenas dos próximos capítulos.

O militarismo sexy/enfrente a selva urbana de Marc Jacobs em NY City!

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