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O feliz dia em que a coroa enfeitou o black power

Gente, to felicíssima. Radiante feito o sol de meio-dia. Não sei se vocês ficaram sabendo, mas ontem aconteceu o Miss Minas Gerais aqui no em Belo Horizonte. O concurso, que é realizado em todo o país desde que minha avó era mocinha, foi transmitido pela TV Bandeirantes e organizado, também, por essa emissora.

Confesso que, na programação normal da minha vida, não vejo esse tipo de atração. Não porque sou feminista e acho que os concursos de beleza estimulam a ditadura da beleza e trabalham para manter o estigma de que a mulher precisa apensar ser bonita, deixando a inteligência de lado e blá blá blá caixinha de fósforo. Só não vejo porque morro de preguiça dessas coisas, fato.

Mas, ontem, precisei prestar atenção. Acontece que a vencedora do Miss Minas Gerais é negra com cabelo black Power! Sim, minha gente, esta foi a grata surpresa da noite. A agraciada se chama Karen Porfiro, representante da cidade de Timóteo, que fica na região do Vale do Rio Doce.

Gente, como disse agorinha mesmo, não acompanho esses concursos muito de perto. Mas, pelo conhecimento que tenho, nunca antes na história dessas pelejas uma negra chegou tão alto em qualquer um deles. O que é uma ironia, já que vivemos em um país onde mais – bem mais! – da metade dos brasileiros são negros do cabelo afro. É hora de nos reconhecermos como belos.

Normalmente, as ganhadoras são loiras, no máximo morenas claras, de cabelo “bom” e olhos claros. É por isso o meu espanto positivo. Agora, falando sério, vamos combinar: Karen é linda e sua vitória fui super merecida. Ninguém fez um favor ou usou de cotas para negros e pardos quando quis entregar a coroa de Miss para ela. Esse complexo de “quero ser europeu” é tão out, tão démodé.

Não vou aqui levantar a bandeira do racismo, dizendo que temos preconceito contra nós mesmos. Acho esse discurso inflamado demais para o mundo da moda. Penso, apenas, que a estética nesse universo costuma ser ditado pelas tendências que vem de fora, principalmente da Europa. É por isso que levamos tanto tempo para reconhecer a beleza negra, como aconteceu ontem. Que bom que as mudanças são sempre bem vindas e sempre há tempo para melhorar as coisas. E parabéns para a Karen, uma daquelas morenas de parar o trânsito…

Parabéns pela vitória!

Parabéns pela vitória!

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Isso é tão fora de moda

Dia desses, quando fui cuidar das patinhas, digo, fazer as unhas, me deparei com uma coisa muito engraçada e, ao mesmo tempo, aterrorizante. A recepcionista do salão que costumo freqüentar – confesso, não tenho capacidade para pintar as unhas assim, by myself – atendeu a ligação de uma moça que perguntava se alguém poderia repintar suas unhas porque seu pai tinha obrigado a coitada a retirar todo o esmalte já que, segundo ele, a cor estava muito vibrante e chamativa.

Ainda segundo a moça que atendeu a ligação, o pai da garota, que já conta 23 primaveras e é casada, fez isso porque a religião da família, de orientação evangélica, não acha ser de bom tom mulher usar cores muito extravagantes. Ainda, segundo a recepcionista – calma que ta acabando!- a cor escolhida pela garota era um rosinha bem clarinho, com alguns nuances discretos de brilho.

Confesso que fiquei assustada ao ouvir o relato e, depois de um pouco refletir, decidi compartilhar o acontecido com vocês. Digam-me leitores lindezas, sou eu a única que acreditava ter ficado no século XVIII esse tipo de opressão babaca contra as mulheres? Sou só eu a sonhadora que via o mundo do século XXI como um interessante lugar melhor para se viver do ponto de vista fashion?

Acho estúpido, babaca e inadmissível que nós, mulheres, ainda sofremos esse tipo de abuso por pais, maridos, parentes ou qualquer tipo de agregado do sexo masculino. Também acho inaceitável que a desculpa para um comportamento como esse tenha sido a religião, seja ela qual for. Honestamente, acho que Deus tem muitas outras guerras – alô Faixa de Gaza! –  para se preocupar e a unha de uma pessoa é o menor de seus problemas.

Além de tudo isso que já falei, esse absurdo também é um ato que poda a personalidade porque, conscientemente ou inconscientemente, o modo como pintamos as unhas diz um bocado sobre como somos e o que queremos. Eu, por exemplo, tenho a personalidade  um tantinho forte e não tenho muito medo das coisas. Por isso o tom mais claro que uso nas unhas é um vermelho bem fechado e sou super fã de colocar preto nas patinhas.

Essa moça que escolheu o rosa clarinho, e ainda assim foi desrespeitada em sua vontade, ou é uma pessoa bem discreta e tímida ou age assim por medo de represálias que, ainda assim, continuam ocorrendo. Tenho dó da garota, que foi reprimida, mas tenho mais dó ainda do repressor porque, afinal de contas, ele é estúpido e, pelo visto, vai morrer estúpido. A moça ainda é jovem e, se tiver forças, pode chutar o pau da barraca e tratar de viver sua vida. Pensando do jeito que quiser, pintando as unhas da forma que melhor entender.

Meu rosinha claro é assim.

Meu rosinha claro é assim.

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Trajes de banho para mulheres que passaram por mastectomia

O post de hoje será apenas uma galeria para mostrar para vocês que toda forma de beleza é interessante e deve-se ter muito respeito e admiração pela diversidade. Acontece que foram desenvolvidos maiôs e biquínis especiais para mulheres que sofreram uma mastectomia. Nesse caso, o design foi pensando para, não digo evidenciar a cirurgia, mas mostrar que é possível conviver harmoniosamente com ela.

De minha parte, cultivo um imenso respeito por mulheres que passam por essa operação com a cabeça erguida, sem fazer disso um drama em nenhum segundo. Elas são sábias e já perceberam que a beleza, assim como o estilo e o saber usar a moda em favor de si próprio, vai muito além da aparência exterior. É uma energia que vem lá de dentro da alma, como se fosse uma paz de espírito.

Mastectomia cinco

Mastectomia dois

Mastectomia quatro

Mastectomia seis

Mastectomia tres

Mastectomia um

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Gisele e o Chanel nº5

Nossa top-ultra-mega-über-model Gisele Bündchen fechou contrato para fazer a próxima campanha do Chanel nº5, aquele perfume icónico que a Chanel lançou lá em 1921, virando febre entre os soldados na Segunda Guerra Mundial, ganhando destaque na história por trazer várias inovações em sua fórmula e em seu design.

Segundo a maison, Gisele foi escolhida por sua “beleza natural e moderna”. Cês conseguem ver a profundidade dessa fala? Vou explicar então: esse perfume tem quase cem anos e foi concebido em uma época onde o conceito de cheiro bom e cheiro ruim era bem diferente da opinião que temos hoje.

Apresento o Chanel Nº5 (Fonte: reprodução.)

Apresento o Chanel Nº5 (Fonte: reprodução.)

É por isso que já ouvi alguns privilegiados que experimentaram esse perfume dizerem que ele tem um “cheirinho de coisa velha”. Mas, ainda assim, é um dos mais vendidos do mundo por sua história e prestígio. Marilyn  Monroe, aquela atriz loira que ficou famosa por vestir um vestido branco esvoaçante em “O Pecado Mora ao Lado”, dizia que dormia usando apenas “algumas gatos de Chanel nº5”.

Portanto, a Chanel sempre precisa renovar o desejo das pessoas pelo perfume tornando a fragrância sempre atual. Como eles não podem mexer na fórmula, arranjam outras estratégias e, talvez a mais eficaz seja aliar o perfume ao nome de personalidades atuais e que vendem qualquer coisa. Já foram os rostos do nº5 Catherine Deneuve, Brad Pitt e a própria Marilyn Monroe.

Análise feita, vamos aplaudir, afinal de contas, nossa Gisele vai arrasar com o vidrinho de perfume na mão. A campanha deve sair no fim desse ano.

A top mais top de todas!

A top mais top de todas!

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Belezas diferentes

Quando eu digo que a beleza é só questão de opinião, neguinho não acredita em mim. Mas, gente, eu tenho razão! Para provar que estou certa (rá!) hoje trouxe dois exemplos de modelos que deixam de lada aquele estereótipo “mulher-cabide” que vemos nas passarelas. São pessoas exóticas mas que, acredito, além de trabalharem no mundo da moda levantam a bandeira da diversidade, coisa que eu apoio demais da conta – o pessoa mineira, só.

A americana Melanie Gaydos é portadora da doença genética rara Displasia Ectodérmica, síndrome que afeta a pele, ossos, cabelo e dentes. Olha só que consciência: eu sou portadora de Displasia Epifisária Múltipla, que afeta apenas a formação dos ossos, mas não é menos rara que a da moça. Bom, voltando, Melanie hoje fotografa para diversas marcas e diz que quer “levar emoção”.

modelo displasia

Também apresento Chantelle Brown-Young, garota de 19 anos que desde pequena convive com o Vitiligo, doença que acomete a pele, matando as células que produzem a pigmentação. É por isso que pessoas com esse problema apresentam manchas brancas na pele. Chantelle encara as adversidades com muito bom-humor, sem choro nem vela. Por isso, hoje já faz campanhas internacionais e arrasa nas passarelas.

vitiligo um

Achar sua beleza, aquela particularidade que te encanta e pode também encantar o mundo, torna a vida menos difícil a cada dia. Além do mais, é como dizem: se a vida te dá limões, faça com eles uma gostosa limonada. E, se forem muitos os limões, faça logo uma torta com eles. Quanto mais aprendermos que cada pessoa é especial do jeito que é, e que nós não somos menos especiais que ninguém, melhor para a gente. Até nossos looks ficarão mais bonitos levando esse segredo a sério.

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Cuidados com os cabelos vermelhos

Semana passada eu contei nesse post que, além de cortar os cabelos bem curtinhos, também voltei a usar vermelho nas madeixas. Meu amor com a cor é antiga, mas admito que quando mais nova não cuidava adequadamente para que não desbotasse. E, meninas, prestem atenção, isso acontece com mais facilidade quando falamos de pigmentos vermelhos porque as partículas que fazem a “magia acontecer” não se fixam bem nas escamas.

Por isso o cuidado redobrado com os fios. Pensando nisso, resolvi contar como faço para tentar manter a cor por mais tempo. Admito que pinto o cabelo a cada mês ou, no máximo, a cada um mês e meio. Meu tom é o 666. Não, minha gente, não é o número do inferno. Esta é graduação máxima de vermelho que a indústria produz normalmente. Em qualquer marca de coloração você vai encontrar esse número e, se o negócio é virar ruiva de farmácia com vontade, se joga na cor.

Costumo lavar meus cabelos usando dois shampoos. Primeiro, limpo os fios com um de bebê. Ultimamente estou usando o Jhonson´s Baby clássico. Aquele amarelinho que, com certeza, sua mãe usou em você. A escolha por esse tipo de shampoo se deve ao fato de que ele é neutro, sem sal, e limpa. Uma tática para evitar que a cor escape na hora do banho, já que não vai agredir muito o cabelo. Ouvi dizer que a Jhonson´s testa produtos em animais – leia a conversa sobre isso aqui – e, se for verdade, mudarei de marca. Alguém sabe se a informação procede?

Primeira etapa.

Primeira etapa.

Depois, passo para um shampoo específico para cabelos tingidos de O Boticário. O meu é o Cereja, da linha Nativa SPA. Este tipo de produto contribuí para a permanência da cor do cabelo, já que também lava delicadamente os fios. Lembre-se que o vermelho é uma cor muito difícil de grudar nas madeixas, portanto tudo deve ser feito para que o pigmento não saia. Além disso, a cor do shampoo é vermelha, não sei se influencia na função do cosmético, mas estou gostando do resultado. Só não amei o cheiro, mas isso é porque detesto coisa doce. Mas, como o resultado é bom, acho que compensa.

Segunda etapa.

Segunda etapa.

Depois de tanto shampoo, passo para o condicionador. Estou usando o para Cabelos Ruivos da Natura, linha Plant. O produto tem boa consistência, característica importante para um condicionador, já que vai tratar os fios e fechar as escamas, abertas durante o processo de limpeza do shampoo. Eu costumo deixar o produto uns dois minutinhos no cabelo, para que seja absorvido corretamente. Faça isso e sinta a diferença. A única parte ruim disso é que, dizem, esse condicionador vai sair de linha. Uma pena. É tão difícil encontrar produtos específicos para esse tipo de cabelo.

Terceira etapa.

Terceira etapa.

Depois de lavar tudo direitinho, com todos os dois shampoos e um único condicionador, coloco um pouquinho de creme para pentear. Como meu cabelo é cacheado – amo isso – uso um especifico para esse tipo de fio. Estou amando bastante o da linha Natura Plant. Não pesa em nada no resultado final. Além de cacheados, minhas mechinhas também são finas e não são muitas, portanto é importante para eu modelar tudo, para ficar bem interessante. E cabelos curtos precisam disso para viver felizes e contentes.

Creme para pentear.

Creme para pentear.

Quando vejo que os cachos estão perdendo a forma, uso um spray para cabelos cacheados da L´oréal. Gosto muito porque ele praticamente acaba com aqueles arrepiadinhos típicos do cabelo de qualquer diva que se prese, os frizz. Além disso, esse produto vem com protetor solar, o que ajuda ainda mais na fixação do pigmento vermelho. Protetor solar não é fundamental não apenas para o rosto, minhas caras. Para o cabelo também.

Spray para modelar.

Spray para modelar.

Ei, continuam todos aí? O texto está grande, mas juro ser este o último parágrafo. Só quero dizer que, uma vez por semana, recorro a uma hidratação mais pesada com um creme específico para esse fim. Estou usando um que minha irmã comprou, de óleo de argam chamado EcoActive. Costumo deixar o produto agindo por meia hora, para só depois enxaguar. Sei que são muitos cuidados, mas incorporando tudo dentro dessa rotina corrida que vivemos, fica fácil seguir. E a recompensa é um cabelo vermelho super estiloso.

Creme para tratar.

Creme para tratar.

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Prefeitura de Nova York faz campanha para mostrar que meninas são bonitas, independente de sua aparência

Para levantar a autoestima das meninas de Nova York, a prefeitura da cidade elaborou uma campanha com o objetivo de mostrar para garotas de nove a 12 anos, pré-adolescentes, que elas são bonitas como são e não precisam se preocupar em se encaixar em padrão algum. A iniciativa foi tomada após pesquisas apontarem que problemas relacionadas a não aceitação do próprio corpo, como bulimia, depressão, anorexia, estão sendo detectadas cada vez mais cedo.

Os cartazes publicitários das campanhas são alegres, mostrando meninas com vários tipos de beleza dizendo que são bonitas porque são garotas. As fotos estão acompanhadas da frase “sou uma garota e sou bonita do jeito que sou”. A ideia é dizer que essas meninas são únicas, exatamente como as margaridas que vemos nos campos; algumas são gordinhas, outras maiores, existem as menores e as fechadinhas, mas todas essas margaridas são lindas, exatamente como essas garotas.

Achei a iniciativa da prefeitura de Nova York louvável. É muito bom ver que o poder público tenta fazer alguma coisa nesse caso tão delicado. Mas, ao mesmo tempo, a necessidade da campanha me parece assustadora afinal, raciocine comigo: serão as influências externas da mídia, da moda, das atrizes de televisão, dos adultos – porquê não? – tão fortes ao ponto de já afetarem a cabeça de garotas que, na maioria das vezes, ainda não tiveram nem mesmo a primeira menstruação da vida?

Essas crianças, porque as garotas que são o alvo da campanha, de nove a 12 anos, ao meu ver, ainda não são mulheres, estão vivendo uma fase muito dura da vida, onde tentam construir suas identidades e procuram – ás vezes desesperadamente – ser aceitas em grupos sociais. Traumas nessa época da vida podem ser muito sérios e, acredite, eu não estou sendo apocalíptica. Isso é psicologia, meus caros.

Mas esse sistema mídia/moda/televisão não muda assim, tão fácil. Trata-se de um fenômeno social que está muito ramificado na sociedade. Exatamente como, na Idade Média, mulher bonita era mulher gorda porque as damas corpulentas tinham dinheiro para comprar comida. Aí, todas as outras também queriam ter dinheiro para comprar comida e, consequentemente, ficar gordas. Qualquer iniciativa visando melhorar esse cenário, tentando mostrar que ser como as mulheres que estão em baixo dos holofotes é quase impossível, é válida. O estranho é que a idade do público alvo desse tipo de campanha seja cada dia menor. Vale uma reflexão…

Ela é uma garota. Ela é linda como é.

Ela é uma garota. Ela é linda como é.

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