Arquivo do mês: março 2017

Adeus, Mary Design

O desfile mais bonito que vi foi da Mary Design. Entraram na passarela modelos vestindo cinza amarradas com linhas e tramas incompreensíveis. O tema era loucura. Ao fundo, músicas de Raul Seixas embalavam as passadas das modelos. No fim, todas pararam. Olharam para nós e de repente, uma forte luz se acendei. Ficamos extasiados. Os da fila A e eu, que assistia no fundo.

Bolei mil significados para o que vi. Na verdade, eu deveria ter pensado, apenas, que era uma coisa linda. Demorei bastante para ter uma peça Mary Design. Mesmo sendo bijus, eram caras. Exclusividade exige algum preço. O primeiro item que comprei foi um anel. Fica grande em mim por isso uso com um anelzinho para não escorregar. É marcante com uma enorme pedra azul.

Mesmo não tendo dinheiro pra comprar, sempre me identifiquei muito com a marca. É que nesse mar de coisas iguais, quando vemos o diferente, dá até uma esperança, um calor no coração. Saber que a Mary vai fechar as portas faz um pouco dessa esperança morrer. A verdade é que, cada vez mais, a unicidade perde valor. Ganha quem produz mais pelo menor preço.

No centro de Belo Horizonte há uma loja que vende bijouterias por 2,99. Qualquer coisa que você quiser dentro daquela loja custa a bagatela de 2,99. Costumava me perguntar como eles conseguem esse preço, com tanto imposto, custos de manutenção do espaço… Dia desses, entendi: navios.

Eles chegam ao Brasil abarrotados de bijus produzidas sabe-se lá como, feitas por pessoas que vivem em sabe-se lá que condições. De tão baratas, e fabricadas com materiais tão ruins, anéis, brincos, pulseiras, acabam causando alergias em muitas pessoas. Algumas vezes, essas coisas são, até, radioativas.

Não digo que não compro. Compro. Com consciência e pensamento crítico. Apenas o necessário para ser usado várias vezes. Nada mais. Aqui em Belo Horizonte, lojas administradas por asiáticos têm se multiplicado como mato no quintal. Principalmente, no centro. E lá se vende de tudo: pulseiras, capas de celulares, bolsas, maquiagens. E não existe procedência ou confiança. Você compra, porque o preço e bom, e torce para não ter nenhuma complicação.

Isto posto, me pergunto: como competir? Como se colocar de maneira forte em um mercado tão feroz? Como continuar criando coisas autorias se as pessoas querem, apenas, mais do mesmo? O mais barato? O mais fácil? Como desenvolver um trabalho que respeite funcionários e fornecedores se não há mais condições de competir de igual para igual com produtos importados?

Hoje, não vim para resolver. Só para confundir mesmo porque, né, também sou dessas. Quero deixar todas as pulguinhas nas mentes de vocês. Acho que a moda está entrando em um ciclo diferente, de formas diferentes de produção mas, enquanto isso não se desenha de verdade, o que podemos fazer? Pensemos…

ce7ca0

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Nem relógio trabalha de graça

Sexta passada um dos chefes do portal Lilian Pacce publicou em suas redes sociais vaga de emprego para jornalista na cobertura do São Paulo Fashion Week, evento que está batendo à porta de tão perto. Até aí, tudo bem; semana de moda grande precisa de equipe expandida mesmo. Precisa de gente disposta a trabalhar porque, olha, eu já cobri esses eventos e é um negócio extremamente cansativo.

Como eu disse, até aí tudo bem. O problema foi quando esse mesmo chefe disse que pagaria esse felizardo, que vai trabalhar diretamente com a Lilian Pacce, uma das maiores autoridades no assunto, apenas com bom coração e um up grade no currículo. WHAT?? Quem foi que disse que bondade paga conta? Compra comida? Compra roupinhas da moda? Lógico que não!

E, olha, o eleito não precisa, apenas, ser esperto e bonitinho. É interessante que entenda de Final Cut, um programa de edição de vídeos, de Photoshop, o famigerado editor de imagens… É preciso que saiba de moda, curse ou seja formado em jornalismo, bom texto, proatividade, total disponibilidade na semana para trabalhar – e correr! – o dia todo. Váaaaarios requisitos para alguém que não será remunerado.

Já vi isso acontecer em outros veículos. De menor porte. Com pouca relevância. Eu mesma já trabalhei de graça cobrindo moda no comecinho da minha carreira. Não foi uma experiência tão boa porque, minha gente, isso é uma completa falta de respeito pela pessoa e pelo profissional. Por vários motivos que vou enumerar:

– Trabalhar sem receber não é correto por lei, nem relógio trabalha de graça já que é preciso bateria. Trabalhar, sem remuneração, chega a ser quase um trabalho escravo.

– Cobrir semana de moda não é glamouroso e causa bolhas nos pés. Com que dinheiro você vai comprar curativo se não recebeu?

– Essa ideia de que trabalhar em grandes veículos abre portas e a gente precisa se sujeitar para crescer é ilusão. O jornalismo de moda é muito fechado, poucos são os sortudos, muitos ficam frustrados e não vai ser uns dias ralando feito um burro de carga os responsáveis por abrir as portas da esperança para sua vida profissional.

– O jornalismo enquanto profissão está bastante desvalorizado. Você pode perguntar como anda a vida profissional de qualquer jornalista e tenha certeza de que ele vai despejar trezentas mil reclamações em cima de você; assédio moral, longas horas de trabalho, processos impossíveis, precariedade… Ofertas de trabalho de graça só contribuem para a continuidade disso tudo.

Eu poderia falar muitos outros motivos que tornam esse “trabalho” uma furada completa. Mas, passei a manhã toda pensando porque, com o jornalismo de moda, a situação se torna pior e cheguei a um palpite: jornalismo econômico é importante. Jornalismo policial é importante. Jornalismo de moda é acessório feito por gente fútil. É, sim, essa a ideia na cabecinha de muita gente, fiquem atentos.

E, se é o jornalismo de moda uma coisa desimportante, não carece respeito. O profissional pode ser, ainda mais, explorado. O que importa, o mais legal, são os brindes que as marcas dão, as fotos no Instagram, estar na sala de desfiles. Acho tão triste ver a profissão se desmanchar assim… Pessoal do Lilian Pacce, MELHOREM! Não pegou bem para vocês. Estamos de olho, fica a dica!

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E o Oscar vai para…

Aconteceu em Hollywood, no último domingo, mais uma premiação do Oscar. Esse ano, o tapete vermelho estava recheado de vestidos nudes. Houve amarelo e, como sempre, pretinhos nada básicos. Muita roupa chamando mais atenção que o dono…

Tudo isso aí você acompanhou em outros sites. As trocas de envelope e cara de espanto de premiados e apresentadores, você também viu. Então, como sou “a diferentona” vou falar sobre duas premiações técnicas: maquiagem e figurino.

O prêmio de melhor figurino foi para Animais Fantásticos e Onde Habitam. O longa é uma adaptação das histórias do universo Harry Potter. Se passa 70 anos antes do início das aventuras do bruxinho. Então, tudo começa em uma Nova York de 1921, quando o especialista em criaturas mágicas Newt Scamander desembarca na cidade com sua mala recheada de seres diferentes.

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O figurino precisa falar antes dos personagens. É, nesse filme, é assim. Collen Atwood pensou em tudo. Capas esvoaçantes lembrando magia. Chapéus Fedora levemente pontudos que lembram os chapeus cônicos… Para os vilões, roupas sóbrias. Quando assisti ao filme, tinha me atendando muito para o figurino, super fiel aos anos 1920. Achei uma estatueta justa.

Melhor maquiagem ficou Esquadrão Suicida. Vi esse filme e não curti. Exceto pela Arlequina de Margot Robbie. A história é sobre ante-heróis que se juntam para “salvar” Gothan City. Você deve estar acostumado a ver esse pessoal contra o Homem Morcego. Nesse filme, não.

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O que disse sobre o figurino também vale para a maquiagem: deve falar antes. Mas, além disse, no cinema a maquiagem também serve para caracterizar feridas, sujeitas, suor, mutações… As pessoas devem ser “quase” reais. É verdade que Arlequina chama atenção, mas nesse caso o desafio foi representar Killer Croc e sua pele de jacaré. Esmero também para Magia, várias caracterizações.

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Acho pequeno o crédito á premiações técnicas como essas. Não é justo. A língua da roupa e a linguagem da maquiagem também são fundamentais para uma história bem contada, que transmita verdade. Ainda que eu saiba que animais fantástico não existem e que pessoas não voam.

Esse ano, lançamentos que exigem maquiagens e figurinos elaborados estão chegando. A Bela e a Fera e Mulher Maravilha são exemplos. Vamos esperar para ver no que dá, né? Será interessante assistir!

 

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