Arquivo do mês: junho 2015

Masculino/Feminino

Vocês já ouviram falar sobre Teoria de Gênero? Do ponto de vista pedagógico e educacional, e a grosso modo, Teoria de Gênero significa educar as crianças igualmente, não levando em consideração diferenças entre meninos e meninas porque, segundo os adeptos, os gêneros simplesmente não existem até que a pessoa tenha maturidade suficiente para escolher se quer ser vista como “homem” ou “mulher” perante a sociedade. Em termos práticos, as pessoas que apóiam essa ideia não separam as crianças, tanto que nas escolas onde ela é adotada, não existem banheiros femininos ou masculinos, são únicos para os dois públicos. Então você, caro companheiro que lê este texto no conforto do seu lar, já está pensando: mas Mari, tudo bem que o blog “não é sobre moda”, mas falar de pedagogia já é viagem de mais, você não acha?

Não, não acho. Principalmente porque o conceito de feminino/masculino está chegando ao mundinho fashion com estardalhaço. Na verdade, a ideia de que mulheres podem usar coisas de homens e homens podem usar coisas de mulheres não é nova. Ou vocês já se esqueceram dos sapatos Oxford, aqueles usados nos colégios masculinos britânicos que, depois de ganharem cor e textura, hoje calçam os pés de muitas garotinhas por aí. Outro exemplo são as calças jeans skinny coloridas para homem, peça que eu particularmente acho horrenda, mas muitos moços modernos não abrem mão. Já que estamos em uma pais livre, deixe que usem!

A novidade é que agora a moda descobriu as roupas que servem, tanto para homens quanto para mulheres. Apostando que são tendência, resolveram colocar na passarela. O que hoje é chamado de “agenere”, sem gênero em inglês, na época da minha mãe carregava o singelo nome de “unissex”, para ambos os sexos. Coleções estão sendo pensadas para cobrir os corpos femininos e masculinos. Na última semana de Moda Masculina de Milão, nomes como Prada, Gucci e Ermenegildo Zegna já compraram a tendência, colocando na passarela homens e mulheres vestindo as apostas.

No Brasil, ainda não vi algo parecido mas, se o povo de fora já fez, é bem capaz que marcas moderninhas comprem a ideia sem pestanejar, já que o povo da moda brasileira adora o que vem de fora… Ainda não sei bem onde nasce essa vontade de fazer roupas para ambos os sexos, mas acho que a trend veio para ficar por um tempo. Tenho apenas algumas suspeitas: será que esse fenômeno não tem a ver com o desejo latente de igualdade de gêneros? Será que não tem um pouquinho a ver com as questões sexistas e feministas? Não afirmo nada, só levanto hipóteses para podermos pensar juntos.

Por fim, até que a tendência pode ser econômica. Parem e pensem comigo: imagina um casal que mora junto, eles poderão comprar agora uma calça ou uma blusa que pode ser usada pelos dois, economizando um dinheirinho. Mas, brincadeiras á parte, a trend “agenere” é interessante para percebermos como a moda acompanha as questões sociais. Se é de propósito, ou não, já é assunto para outro dia.

Gucci Milão 2015

Prada Milão 2015

Ermenegildo Zegna Milão 2015

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Marcha das vadias: eu fui!

Galerinha do bem, como vocês estão indo por aí? Eu vou bem por aqui. Seguinte, nesse sábado, 20 de junho, aconteceu a 5º Marcha das Vadias em BH e eu, que adoro um babado bom, estava lá. Se você não sabe, essa manifestação acontece em diversas cidades do mundo, mas se originou em Toronto, Canadá, onde uma garota foi estuprada na faculdade e ouviu de seus amigos que culpa era dela- façamos um minuto de silêncio pela babaquice humana. Basicamente, o movimento defende os direitos das mulheres.

Então que eu fiquei pensando sobre a relação da moda e o julgamento social que o uso de algumas roupas produz instantaneamente. Tipo quando você vê uma moça de shortinho em uma noite fria e logo diz, “ah, mas periguete não sente frio”. Ou então, quando você vê uma mocinha que não liga muito para grandes produções e logo profetiza, “é por isso que não arruma namorado, é desleixada, anda igual um homem”. A roupa comunica, sim, mas essa comunicação, em muitos casos, é rasa e falsa.

Quando disse á algumas pessoas que ia na “Marcha das Vadias”, ouvi que aquele não era lugar pra mim, menina de família (oi???); que eu não deveria me misturar com essas mulheres que andam na rua de roupa íntima ou fazendo top less mesmo. Sim, algumas estavam presentes na marcha vestidas – ou sem roupa – assim também porque usam seus corpos como forma de protesto. Acho digno, mas confesso não ter muita coragem. Além do mais, ás vezes, para se fazer ouvir e refletir, é preciso causar o desconforto no outro, para que o pensamento reflexivo apareça.

Mas a grande, imensa maioria, das garotas que estavam lá se vestia como eu e você: usando vestidos, calças jeans, shorts, blusas de frio, faixas na cabeça e bijouterias descoladas. A única diferença é que essas carregavam cartazes com frases de protesto, coisa que não fazem no metrô, por exemplo. A maioria das garotas que estava na marcha das vadias não se vestia como define o conceito social de vadia. Eu não me vestia conforme as regras impostas pela sociedade que ditam se uma mulher é vadia, ou não. Eu me vestia como uma mulher, que quer ser respeitada.

Dizer que a moda comunica é uma coisa. Realmente ela pode passar informações preciosas sobre o estilo de uma pessoa, mas não é soberana nisso. Agora, dizer que uma mulher vestindo mini saia e mini blusa é puta, é desrespeito. Se ela escolheu essa roupa, teve seus motivos, ou talvez não teve motivo algum. Cada um se veste como bem entende e não é sua culpa se em seu caminho aparece um babaca, ou uma babaca, pra apontar qualquer coisa. Você precisa estar bem com o que escolhe e pronto. Na verdade, precisamos estar bem com as nossas escolhas, em todos os aspectos da vida. E viva a Marcha das Vadias: porque meu útero é laico!

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Sobre ternos divertidos e ideias antigas

Sabe uma coisa mega interessante que ando observando nesses tempos fashion modernéticos? A liberdade. E ela está aí para todo mundo: preto, branco, baixo, gordo, mulher e homem. Suspeito que as mocinhas feministas vão me odiar após ler esta afirmação mas, GUARDANDO AS DEVIDAS PROPORÇÕES, preciso dizer que os homens não costuam ter muita liberdade na hora de se vestir.

Mas, no passado, era pior. Antigamente, no começo do século vinte pra cá, anos 2000 o traje dos rapazes se resumia a pouca, ou nenhuma, estampa, calça de alfaiataria ou, no máximo, um jenas despojado, camisas de manga longa ou curta, sociais ou comportadas, bermudas para os dias extremamente quentes , ternos pretos para reuniões, smokings para festas refinadas e fim da história. Já nós, mulheres, podemos sair por aí com a roupa que queremos, inclusive as deles, sem dar maiores satisfações nem provocar grandes choques sociais. Se você, mocinha, quiser vestir uma melancia na cabeça o máximo que vai acontecer é te acharem louca. Ainda existem uns tapados que veem mulher de roupa curta e já saem apontando. Mas, thanks God, isso já tá mudando.

Claro, minha gente, que essa nossa liberdade fashion é uma conquista, mas essa pauta ficará pra outro momento. Os homens, quando resolvem inovar demais no closet, tem questionada sua sanidade, orietanção sexual, estilo pessoal, situação financeira, o bom gosto da companheira, o caráter e várias outras coisas que não nos atingem mais tanto assim. Basta usarem algo mais extravagente pra todo mundo ficar passado com a visão. Porém, repito: essa nossa liberdade só vem depois de muita luta. Ok, voltando ao texto, fiquei pensando nesse tema e resolvi compartilhar com vocês porque hoje vi umas fotos de uns looks do Ton Ford para a semana de moda de Londres, verão 2016, e achei babado as ideias.

Tom Ford – Londres – 2016

Tom Ford – Londres – 2016

Mas, seja sincero com você mesmo porque mentir pra si mesmo é a piror mentira: o que você pensaria se visse rapidamente um rapaz esses looks das fotos? Eu me chocaria, depois acharia um luxo! A gente sempre acha que a grama do vizinho é mais verde. Que a vida dos homens é mais fácil em todos os aspectos e blá blá blá mas, pessoal, arrisco-me a dizer que na moda somos muito mais livres que eles. Podemos usar o que quisermos e o mundo tem que respeitar isso e ponto final. Já eles, bem, ainda não conseguem se locomover tão levemente no mundinho fashion. Esse pensamento me traz outro a cabeça: será mesmo que todas as questões comtenporâneas tem apenas um lado? Vamos observar e aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Deixe um comentário

Arquivado em Comportamento