Arquivo do mês: abril 2015

Tem muita roupa no mundo

Pessoal, como estão? Eu vou bem, sempre bem… Seguinte, vamos começar a conversa sem rodeios hoje: cês já viram aquele filme Wall-E? Caso não tenha idéia do que estou falando, aqui o link para o trailler. A animação conta a história de Wall-E, robozinho responsável por catar o lixo na Terra em uma época em que nosso planeta vira um lixão e vamos todos morar no espaço. Acontece que enquanto trabalhava no estoque da The Street Store – falei do evento aqui – , separando roupas, era só nesse filme que pensava.

Gente, cá entre nós, tem muita roupa no mundo, as pessoas estão comprando como se não houvesse amanhã. Mas há e as próximas gerações vão precisar desse planeta pra viver. Se a gente não tomar cuidado vamos mesmo acabar fazendo com a Terra o quê se vê no filme. Vamos mesmo transformar o planeta em um enorme lixão. Vocês querem isso? Eu acho que não. Ser voluntária nesse projeto tornou visível o que eu já venho estudado na teoria á algum tempo. A forma como a moda vem se comportando é insustentável de todos os pontos de vista existentes.

É humanamente impossível para a mente humana criar 52 coleções totalmente únicas para as redes de fast fashion por ano. Então, não é sustentável para os designers. É ecologicamente insustentável produzir sem agredir a natureza os tecidos e insumos necessários para a fabricação das roupas. Então, não é sustentável para o planeta. Do ponto de vista dos trabalhadores é insustentável que eles produzam 14 horas por dia em péssimas condições para baratear ainda mais os custos do sistema. Então, é insustentável do ponto de vista dos operários. É economicamente inviável trocar todas as roupas do armário na virada de cada estação. Então, é insustentável do ponto de vista do bolso das pessoas….

Eu poderia ficar o dia todo aqui falando sobre a insustentabilidade gritante do negócio, mas acho cansativo e se eu seguir com o raciocínio vocês daqui a pouco vão fechar a página e me deixar falando sozinha. O Street Store foi um grande choque de realidade porque, além de eu ver o quão é inviável e imbecíl a lógica do fast fashion, consegui enxergar também a desigualdade, em carne e osso. Para vocês terem uma idéia, conversei com um menininho que nunca tinha escolhido uma roupa na vida e estava feliz por ter catado uma blusa “nova” do chão. E esse mesmo menino vive num mundo onde várias crianças como ele dizem as pais que não vão mais usar determinada peça simplesmente porque não querem…

Sabe pessoal, acho que algumas coisas precisam mudar no mundo e, como diz Comfúsio, isso tem que vir de dentro de nós. Esse post hoje não vem para apontar soluções milagrosas para o problema. Eu só quero contar para vocês que ele existe e que eu o enxerguei de perto no último sábado. Tem muita roupa no mundo.

Foto: Valéria Marques.

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The Street Store BH

Fala galera bonita que lê estas mal traçadas linhas, tudo bem concês?

Eu de cá estou bem, escrevendo em outros lugares que não aqui, mas bem. Canso de falar com vocês sobre como é bonito quando a moda ganha algum propósito, não é? Tipo, levantar a auto-estima das pessoas, ajudar na descoberta do estilo e identidade, trazer soluções interessantes para a vida, enfim… Daí que, hoje, vim falar sobre uma dessas iniciativas que fazem meus olhinhos brilharem: a The Street Store BH, que acontecerá dia 11 de abril nas grades do Parque Municipal aqui da minha cidade.

Trata-se de uma iniciativa muito bacana que teve origem na África do Sul e hoje já se espalhou por vários países. Aqui em Belo Horizonte, minha terrinha, está sendo encabeçada pelo pessoal do Moda Ética, site muito bacana que dá andamento á vários projetos que visam humanizar e tornar mais sustentável esse mundinho fashion. Eu serei voluntária nesse dia e espero ajudar bastante gente. Aí você fala: mas Mari, você não explicou o que é esse tal de Street Store…

Calma gente, já explico: a “loja de rua” é uma forma de ajudar moradores carentes de rua, e pessoas carentes em geral, a conseguirem roupas e acessórios dos quais estejam precisando. Trata-se de um local onde essas pessoas poderão chegar, ver de que tipo de roupa, acessório, ou sapato que mais gostam, ou precisam, e apenas pegar. É como se fosse uma loja mesmo, pois tudo estará em cabides, mas onde não é preciso nenhum dinheiro para conseguir nada. Basta que o morador de rua chegue e pegue o que precisa.

Sabe gente, vocês – e eu também – que têm seus armários abarrotados de roupas não podem imaginar como faz falta para alguém que vive nas ruas poder, apenas, chegar e escolher aquilo de que precisa ao invés de aceitar passivamente o que lhes dão. As roupas são usadas, todas doadas, mas só de essa pessoa poder chegar e escolher o que quer, já é um up na auto-estima deles, coisa que fica esquecida diante dos mazelas da vida. Além disso, eles pegarão o que precisam, o que também dá jeito na necessidade prática e social que todos nós temos de cobrir o corpo.

Outra coisa é que, nesse sábado, essas pessoas serão ouvidas, vão poder trocar. E nós, seres humanos, precisamos muito de todas essa coisas. Parece pouco, mas não é. As inscrições para ser voluntário no Street Store BH já se encerraram, mas vocês podem saber onde doar suas roupinhas e sapatinhos que não usa mais aqui nesse link. Clica, deixa de ser preguiçoso!  Caso não tenha tempo de ir aos postos de coleta, tudo bem. Doações também podem ser feitas no dia do evento, agora não tem desculpa. Fiquem felizes. O evento no Facebook está aqui, caso precise saber mais.

Engraçado.. Ultimamente ando com uma vontade tão grande de ajudar as pessoas, mandar energias boas e bons pensamentos para o universo, com um desejo doido de que todo mundo seja feliz. Daí, quando eu me deparo com um evento que, de alguma forma, é de moda, fico tãaaaooooooo feliz. Quase não caibo em mim. Cês já sentiram isso? Enfim, divagações à parte, depois que o evento acontecer conto como foram as coisas. Espero muito poder ser útil nesse dia e ajudar.

Beijo beijo e até breve!

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