Arquivo do mês: agosto 2014

O feliz dia em que a coroa enfeitou o black power

Gente, to felicíssima. Radiante feito o sol de meio-dia. Não sei se vocês ficaram sabendo, mas ontem aconteceu o Miss Minas Gerais aqui no em Belo Horizonte. O concurso, que é realizado em todo o país desde que minha avó era mocinha, foi transmitido pela TV Bandeirantes e organizado, também, por essa emissora.

Confesso que, na programação normal da minha vida, não vejo esse tipo de atração. Não porque sou feminista e acho que os concursos de beleza estimulam a ditadura da beleza e trabalham para manter o estigma de que a mulher precisa apensar ser bonita, deixando a inteligência de lado e blá blá blá caixinha de fósforo. Só não vejo porque morro de preguiça dessas coisas, fato.

Mas, ontem, precisei prestar atenção. Acontece que a vencedora do Miss Minas Gerais é negra com cabelo black Power! Sim, minha gente, esta foi a grata surpresa da noite. A agraciada se chama Karen Porfiro, representante da cidade de Timóteo, que fica na região do Vale do Rio Doce.

Gente, como disse agorinha mesmo, não acompanho esses concursos muito de perto. Mas, pelo conhecimento que tenho, nunca antes na história dessas pelejas uma negra chegou tão alto em qualquer um deles. O que é uma ironia, já que vivemos em um país onde mais – bem mais! – da metade dos brasileiros são negros do cabelo afro. É hora de nos reconhecermos como belos.

Normalmente, as ganhadoras são loiras, no máximo morenas claras, de cabelo “bom” e olhos claros. É por isso o meu espanto positivo. Agora, falando sério, vamos combinar: Karen é linda e sua vitória fui super merecida. Ninguém fez um favor ou usou de cotas para negros e pardos quando quis entregar a coroa de Miss para ela. Esse complexo de “quero ser europeu” é tão out, tão démodé.

Não vou aqui levantar a bandeira do racismo, dizendo que temos preconceito contra nós mesmos. Acho esse discurso inflamado demais para o mundo da moda. Penso, apenas, que a estética nesse universo costuma ser ditado pelas tendências que vem de fora, principalmente da Europa. É por isso que levamos tanto tempo para reconhecer a beleza negra, como aconteceu ontem. Que bom que as mudanças são sempre bem vindas e sempre há tempo para melhorar as coisas. E parabéns para a Karen, uma daquelas morenas de parar o trânsito…

Parabéns pela vitória!

Parabéns pela vitória!

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Parabéns para Chanel

Gennnnnnte, a Coco Chanel fez aniversário nessa semana e eu, aqui, caladinha? Não posso, afinal, isso é um absurdo! Mademoiselle fez bodas de 131 anos na terça-feira, dia 19 de agosto, e não pintei por aqui para comentar antes porque estou vivendo os loucos embalos do jornalismo de TV, por isso a ausência. Comecei em um emprego novo, se você está aqui há um tempinho grande já sabe. Tenha paciência comigo, please! Mas, não tem como pensar o mundinho fashion sem pensar o legado dessa mulher que é, tipo, ídolo da vida.

Li algumas matérias que listavam a importância de Coco Chanel para o universo da moda, do ponto de vista criativo e empresarial. Nas diversas listas sempre estavam as pérolas, que aparecem em quase todas as fotos da criadora. Também o tweed, material não muito nobre que foi finamente trabalhado por Coco. Outra cosia que é importante falar é a revolução na perfumaria alavancada pelo Chanel nº5, a primeira fragrância que incorporou em sua fórmula o aldeído, ativo que faz a fragrância “grudar” na pele. Depois desse lançamento, nada mais foi o mesmo no universo dos cheirinhos agradáveis.

Tem também a icônica bolsa 2.55 com matelassê e correntes douradas – o primeiro item que vou comprar quando ficar ryca e phyna! -, disponível em vários tamanhos e ótima para quase todas as garotas. O estilo navy, que se traduz pelas famosas blusas listradinhas combinadas com calças sequinhas. Destaque também para o corte Chanel. Quer coisa mais chique que entrar para a história com um corte batizado com seu nome? Acho fino demais da conta.

Ok, tudo isso que eu disse é realmente importante por serem coisas que antes não tinham sido pensadas por ninguém no mundo. Nesses pontos, Chanel foi mesmo empreendedora e tudo mais e merece uma salva de palmas. Contudo, porém, todavia, na minha opinião, Coco Chanel hoje é essa coca-cola toda porque deu liberdade para mulher de se vestir de uma maneira mais limpa e prática. Como eu falei no começo do post, ela comemorou essa semana 131 anos. Portanto, quando nasceu, no final do século XIX, as mulheres não trabalhavam, então podiam usar roupas com vários brocados, de comprimento longo e salpicadas por rendas delicadíssimas.

Como vocês podem notar, essas roupas não são nada práticas para o mundo do trabalho e, depois da Primeira Guerra Mundial, cujo início foi no comecinho do século passado, foi esse o lugar que as mulheres começaram a ocupar no mundo, já que os homens da Europa estavam muito ocupados matando uns aos outros e tudo mais. Ta aí a grande sacada de Chanel: dar ao mercado o quê ele precisava naquele momento: roupas práticas, elegantes, que não deixavam a mulher desarrumada mais promoviam maior mobilidade para os diversos compromissos do dia. Essa revolução é tão séria que refletiu também uma mudança de comportamento das meninas, que começaram a ser mais independentes produzindo suas próprias opiniões.

Algumas pessoas menos informadas acham que não, mas muita coisa que acontece no mundo da moda reflete diretamente na sociedade e vice e versa. Muita ciosa que se cria nos ateliês de costura são para responder aos anseios das pessoas que apresentam novos hábitos e posturas. Nós somos reflexo direto das coisas que escolhemos vestir porque nossa casaca externa nossos pensamentos, sentimentos e convicções e Chanel captou rapidinho essa potencialidade do mundinho fashion, por isso seu legado continua fresco na cabeça dos mais atentos. Então, depois de tanto blábláblá, só me resta parabenizar Mademoiselle Coco Chanel por sue talento nato e sua esperteza ímpar!

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Polêmica do dia

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Gente do céu, existem coisas no mundo que precisam ser colocadas na prateleira de “loucura total”. Porém, outras coisas extrapolem a condição de “loucura total” e vão para o cabide das “polêmicas loucas totais”. Para exemplificar meu raciocínio, trouxe para vocês a matéria da Igreja Universal do Reino de Deus cujo tema são dicas de looks para usar no Tempo de Salomão.

Se você andou por outros mundos nos últimos meses e não faz ideia do que seria esse tal templo, eu explico: trata-se da nova igreja gigantesca, e sede da organização, da Universal. Parece um santuário grego, com direito a colunas e muita – muita! – mármore. A obra foi rápida e custou não sei quantos milhões que vieram do bolso dos irmãos, que aplaudiram de pé o milagre de Deus.

No texto, os fashionistas da fé recomendavam que as irmãs usassem calças com shapes mais amplos, para não marcar o corpo e não promover o pecado. Outra sugestão interessante são as saias midi, por terem comprimento respeitoso e elegante. Se a irmã quiser, pode usar maquiagem, mas nada chamativo demais. A matéria diz, ainda, que as irmãs devem evitar o jeans e correr dos decotes mais ousados porque tudo isso não é do agrado de Deus. Se você quer conhecer a publicação na íntegra, ela está aqui.

Eu acho que Deus honestamente não se importa muito com a roupa que o fiel usa para rezar. Mas, ao mesmo tempo, acredito que é bom ter um pouco de simancol na hora de escolher o “look igreja”. Mesmo colocando essas duas questões, sei que a maioria das religiões têm códigos de vestimentas que são apropriados para as cerimônias, excluindo peças que julguem inadequadas.

Nesse caso, acho que o guia é perigoso quando passa do terreno do conselho e cai no lugar da ordem e proibição. É um absurdo que qualquer instituição tome para si o dever de proibir ou permitir as mulheres de usarem essa ou aquela roupa. Cada um deve ficar bem como julgar melhor e fim da história. Esse fato também chamou bastante atenção da imprensa porque o Templo de Salomão está sendo investigado por vários crimes, uma festa só.

Se você quer saber qual é sua roupa ideal para ir ao Templo de Salomão, aqui um teste divertidíssimo. O meu resultado foi “irmã moderna”.

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Sobre a polêmica do ensaio fotográfico que aborda o estupro coletivo

Estava eu aqui, quietinha no meu canto, cuidando da minha vida, trabalhando em cima de várias pautas e infinitas fitas de televisão quando, de repente, não mais que de repente, me surge aos olhos a notícia de que um fotógrafo indiano está sendo duramente criticado nas redes sociais por produzir um ensaio de moda cujo tema são os estupros coletivos que acontecem na Índia com uma freqüência incômoda e intolerável. E, se o mundinho fashion apronta, é preciso que eu entre em ação (neste momento me sentindo uma heroína, #sqn).

Jornalista que sou, fui investigar a notícia e entender o babado nos mínimos detalhes para comentar com vocês desse meu jeito doce e encantador que tanto faz sucesso. É verdade mesmo, o fotógrafo Raj Shetye está sendo atacado por ter clicado, para uma publicação local, fotos que remetem ao estupro coletivo vivido em 2012 por uma estudante de fisioterapia que contava 23 anos na época. A garota, que acabou falecendo, foi molestada dentro de um ônibus e não teve nenhuma chance de defesa. Desde então, após a revolta nacional, as leis indianas relacionadas ao assunto sofreram mudanças favoráveis ás mulheres e seus direitos.

Panorama exposto, vamos às reflexões que formulei dentro da caxola: o ensaio realmente remete – reparem que eu disse “remete”, do verbo “é parecido” e não “retrata” do verbo “fazer igual” – o acontecido com a estudante e isso com certeza iria provocar falatório já que o fato é bárbaro, desumano e cruel. Mas, segundo o fotógrafo, era essa a intenção da iniciativa: promover reflexão quanto a um problema que, de certo modo, é corriqueiro no pais. Não sei se o argumento foi pensando após a repercussão, mas, em todo o caso, faz sentido para mim.

Bem polêmico.

Pessoas, desde que o mundo é mundo que a fotografia retrata o cotidiano e a moda tenta imitar algumas coisas que acontecem nesse cotidiano que é a vida real. É verdade que, na maioria dos casos, a parte da qual se ocupa o mundinho fashion é a mais glamourosa e interessante, deixando de lado alguns problemas sociais porque problema social não instiga desejo de consumo, portanto não vende. Chegando nesse ponto, outra coisa interessante para se falar nesse caso, já que, segundo as fontes que li, as roupas, apesar de serem bem bacanudas, não receberam crédito de marca ou preço, apesar de serem criações de estilistas indianos. Creditar é normal nos editoriais porque assim as pessoas vão saber onde adquirir as peças, é uma forma de venda mais velha que andar pra frente. Aí outra coisa que me leva a ver coerência no argumento do moço que fez o ensaio.

Mais uma coisa: o nome do ensaio é, em tradução livre do inglês, “Caminho Errado”. Título apropriado demais da conta, já que a míninca coisa que podemos falar de um estupro coletivo é que se trata de um caminho errado, não é verdade leitores lindos? Uma última coisa – gente, isso aqui já ta ficando enorme e vocês vão desistir de ler! – que preciso dizer: se essa iniciativa fosse comprada por alguém como o Sebastião Salgado – isso é só um exemplo, gente! – vocês teriam a mesma reação? Muitas pessoas veem a moda como algo fútil e desnecessário. Para esses, digo apenas: você não anda pelado e as roupas que escolhe para enfrentar o mundo refletem sua personalidade já que o supermercado de estilos está aí e ninguém vive apenas de camisolas cinzas de malha. Muita coisa pode ser observada estando na sacada do mundinho fashion, inclusive acontecimentos que assolam o mundo, como esse. Bom, esta é minha opinião, e você, pensa o quê?

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Isso é tão fora de moda

Dia desses, quando fui cuidar das patinhas, digo, fazer as unhas, me deparei com uma coisa muito engraçada e, ao mesmo tempo, aterrorizante. A recepcionista do salão que costumo freqüentar – confesso, não tenho capacidade para pintar as unhas assim, by myself – atendeu a ligação de uma moça que perguntava se alguém poderia repintar suas unhas porque seu pai tinha obrigado a coitada a retirar todo o esmalte já que, segundo ele, a cor estava muito vibrante e chamativa.

Ainda segundo a moça que atendeu a ligação, o pai da garota, que já conta 23 primaveras e é casada, fez isso porque a religião da família, de orientação evangélica, não acha ser de bom tom mulher usar cores muito extravagantes. Ainda, segundo a recepcionista – calma que ta acabando!- a cor escolhida pela garota era um rosinha bem clarinho, com alguns nuances discretos de brilho.

Confesso que fiquei assustada ao ouvir o relato e, depois de um pouco refletir, decidi compartilhar o acontecido com vocês. Digam-me leitores lindezas, sou eu a única que acreditava ter ficado no século XVIII esse tipo de opressão babaca contra as mulheres? Sou só eu a sonhadora que via o mundo do século XXI como um interessante lugar melhor para se viver do ponto de vista fashion?

Acho estúpido, babaca e inadmissível que nós, mulheres, ainda sofremos esse tipo de abuso por pais, maridos, parentes ou qualquer tipo de agregado do sexo masculino. Também acho inaceitável que a desculpa para um comportamento como esse tenha sido a religião, seja ela qual for. Honestamente, acho que Deus tem muitas outras guerras – alô Faixa de Gaza! –  para se preocupar e a unha de uma pessoa é o menor de seus problemas.

Além de tudo isso que já falei, esse absurdo também é um ato que poda a personalidade porque, conscientemente ou inconscientemente, o modo como pintamos as unhas diz um bocado sobre como somos e o que queremos. Eu, por exemplo, tenho a personalidade  um tantinho forte e não tenho muito medo das coisas. Por isso o tom mais claro que uso nas unhas é um vermelho bem fechado e sou super fã de colocar preto nas patinhas.

Essa moça que escolheu o rosa clarinho, e ainda assim foi desrespeitada em sua vontade, ou é uma pessoa bem discreta e tímida ou age assim por medo de represálias que, ainda assim, continuam ocorrendo. Tenho dó da garota, que foi reprimida, mas tenho mais dó ainda do repressor porque, afinal de contas, ele é estúpido e, pelo visto, vai morrer estúpido. A moça ainda é jovem e, se tiver forças, pode chutar o pau da barraca e tratar de viver sua vida. Pensando do jeito que quiser, pintando as unhas da forma que melhor entender.

Meu rosinha claro é assim.

Meu rosinha claro é assim.

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