Arquivo do mês: março 2014

O retorno em doses homeopáticas

Olá pessoal, como estão? Pois é, dei uma sumida necessária, como puderam ver nesse post. Foi necessário, em breve trarei boas notícias.

Enquanto isso, escrevi uma análise sobre o desfile/supermercado da Chanel. Enquanto o retorno do Não É Sobre Moda não acontece, vou trazer textos e análises sem muita regularidade ou pretensão, para não perdermos o contato, ok?

Um beijo da ruiva de farmácia e até breve!

 

Paris Fashion Week: Chanel apresenta sua coleção em um verdadeiro supermercado de estilos

 

Para este artigo, juro solenemente que tentei fugir da expressão “supermercado de estilos”, usada por diversos jornalistas do mundinho fashion para definir o desfile da Chanel durante a Paris Fashion Week, temporada de Inverno 2015. Mas, pensando bem, não tenho como escapar do clichê. Não vejo forma melhor de introduzir o fashion show de Karl Lagerfeld que a expressão criada pelo historiador Ted Polhemus na década de 1990.

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Mas, devo, ao menos, me dar ao trabalho de tentar explicar, ainda que de maneira sucinta, a ideia central do “Supermercado de Estilos”, teoria de Polhemus; para o pesquisador, em 1990 vivíamos uma síntese de todos os estilos que já caminharam sobre a terra. Em palavras do próprio historiador, no quesito vestuário era “como se todos os períodos existentes aparecessem como latas de sopa numa gôndola de supermercado”, para nosso livre prazer de consumo e democrática escolha fashion.

Não sei se Karl Lagerfeld, o diretor criativo da marca francesa que já conta quase um século de existência no mercado de luxo da moda, se inspirou nessa teoria quando montou sua coleção para o Inverno de 2015. Digo apenas que o veterano da moda foi ousado o suficiente para levar suas modelos e criações até uma passarela transformada em centro de compras, semelhante ao supermercado que fica perto de sua casa, onde você compra pães e verduras todos os dias após o trabalho.

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Por falar em compras após o expediente, esse hábito dos parisienses foi inspirador durante o processo criativo da Chanel; a ideia é convencer os espectadores e fashionistas de que é possível levar essa sofisticação para a vida cotidiana das mulheres. Entre os corredores, o público conseguiu ver casacos oversized, brilhos, calças de lurex, estampas e texturas alegres e inesperadas, modelagens que misturavam as décadas de 1980, 1990 e 2000. Muito tweed, – até nos óculos escuros! – e tênis deslumbrantes. Um verdadeiro street style de luxo, bandeira já levantada pela marca esse ano durante a Semana de Alta Costura, que abre em Paris o calendário global da moda.

Apesar de tantas jogadas super interessantes de marketing e de um senso aguçado de realidade e panoramas sociais, alguns ícones da marca estiveram presentes no supermercado, digo, na passarela. O observador atento conseguiu identificar, além do tweed, referências aos conjuntos de Coco Chanel, que já citei neste artigo. Também ficou perceptível as pitadas de cortes retos, botões de camélias, pérolas brancas e cestas de compras grudadas às alças em formato de correntes douradas intrelaçadas com fios de couro, uma alusão precisa à famosa bolsa 2.55, sempre clássica e moderna.

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Chanel é uma marca que sabe se apropriar dos novos signos da contemporaneidade, como a moda de rua e a esportividade, para construir identidades diferentes e frescas, arrebanhando seguidoras em faixas etárias jovens, renovando sempre sua cartela de clientes para nunca envelhecer. Parar de impor seu estilo, se adequando às vontades do século XXI, talvez seja o segredo de sucesso da grife francesa. Além do mais, Karl Lagerfeld é, realmente, um patrimônio imaterial do mundinho fashion; uma esponja constante e ininterrupta de referências. A fórmula do sucesso não tem como ser mais perfeita.

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